Tamoya ohboya

Definitivamente, não sou uma pessoa religiosa, muito pelo contrário. Durante um bom tempo em minha vida, naquela fase da juventude (no meu caso, entre os dezessete e os trinta e poucos anos) em que não temos medo de nada, achamos que não precisamos de ninguém e estamos convencidos de que sabemos o suficiente sobre tudo que é realmente importante, irritava-me, profundamente, com toda manifestação do que eu considerava ser “submissão intelectual a dogmas pré-estabelecidos”, sejam eles religiosos, políticos, ou pseudo-científicos.

(Desnecessário dizer que me dei mal, algumas vezes, por causa disto…)

Dogmas, raciocinava, são “pessoinhas” muito possessivas, intransigentes e perversas. Seus seguidores não suportam quem pensa ou age de forma diferente daquilo que apregoam. Dogmas não gostam de mudanças. Dogmas adoram verdades absolutas.

Ocorre que, muitas vezes, no afã de combatê-los, acabamos andando de mãos dadas com eles, sem percebermos, em nós mesmos, a influência nefasta da sua companhia. E quer coisa mais diversa, mutável e imprevisível, mais anti-dogmática, que a curiosidade, a engenhosidade e a criatividade do espírito humano?

Além do mais, somos muito diferentes! Certamente em muitos mais aspectos do que muitos de nós gostaríamos de admitir. Igualdade de direitos, de tratamento justo ou de oportunidades não significa, necessariamente, igualdade de conhecimentos, interesses ou habilidades. A beleza externa e a riqueza material são facilmente identificáveis. A força moral ou o potencial de realização (vocação?) que existe em cada um de nós, nem sempre. Descobrir e aceitar a existência de diferentes visões de mundo, com suas crenças e valores próprios, na pior das hipóteses nos tornam pessoas mais tolerantes com os outros e com nós mesmos. Em qualquer hipótese, alargam os horizontes da nossa percepção do mundo que nos cerca e de sua multiplicidade. Respeitar tais diferenças, dado o nosso longo histórico de intransigências, constitui um valor e uma conquista recente da nossa civilização, pela qual ainda temos que lutar para manter e ajudar a difundir. (Difícil? Sim, muito. Especialmente quando você está comprometido com a sua crença e se, realmente, se importa.)

OK, mas… onde é que eu estou querendo chegar com este “papo cabeça”?

Veja bem… gostaria de recomendar, àqueles que ainda não o viram, o filme The Hereafter. Trata-se da mais recente obra do cineasta temporão Clint Eastwood (que, como um bom vinho, só faz melhorar com o passar dos anos). Indico-o, especialmente, aos que, assim como eu, estão convencidos de que a abordagem científica e humanística é a forma correta de olharmos (e atuarmos) neste nosso mundo, “sem dragões para nos assombrar”, como diria mestre Sagan.

Embora, pessoalmente, esteja convencido de que fenômenos “mediúnicos” (ou, se preferir, “paranormais”) sejam fatos facilmente demonstráveis (eu mesmo, acredite quem quiser, já tive a oportunidade de presenciá-los in loco, em duas ocasiões), sei que nem todos que conheço, especialmente os não espíritas, concordam comigo nesta afirmação. Em minha defesa, gostaria apenas de lembrá-los de que a existência de tais fenômenos não significa que as explicações correntes dadas a eles sejam as verdadeiras… (lembra-se das “esferas de Ptolomeu”, tidas como verdade por mais de mil anos, que explicavam perfeitamente o funcionamento do Cosmos e acabaram se revelando, no final das contas, um monte de bobagens absurdas?). Dito de outra forma, o fato de não dispormos de explicações plausíveis para determinada coisa não constitui pretexto válido ignorarmos a sua existência.  Foi por este motivo que gostei, e muito, deste filme. Agradou-me a abordagem isenta dada ao tema da experiência de quase morte e do fenômeno da mediunidade. São três estorias aparentemente desconexas que se unem em um determinado ponto da narrativa, contadas de uma maneira que não ofende a sensibilidade, o bom senso ou a inteligência da sua audiência, independentemente de qual seja a sua crença.

Em resumo, a real masterpiece.

Mudando de assunto…

Notas Científicas

Tamoya ohboya é nome de uma água viva (animal marinho) recentemente catalogada por uma dupla de biólogos brasileiros. Linda e letal. Foi feito um concurso, via Internet, para se escolher um nome que fosse apropriado para ela. Como já tinha uma parente próxima, a “família” já estava definida: Tamoya. Fazendo jus à sua beleza impar e alta periculosidade, anglófonos que se deparassem com ela certamente exclamariam (não necessariamente pelos mesmos motivos): “Oh, Boy!” Justiça feita, ficou ohboya. Interessante, não?

Você sabia que o primeiros homens que surgiram na Terra tinham tipo sanguíneo O? E que, por causa de uma mutação, todos os demais grupos sanguíneos vieram depois? Descobri isto recentemente, e achei bárbaro. Pretendo, em um próximo blog, voltar a abordar este assunto com mais detalhes… Wait for me!

Headlines

O presidente Obama visitou o Brasil sob fortíssimo esquema de segurança. Ninguém podia chegar perto dele e o discurso a céu aberto que faria na Candelária (uma praça do Rio) acabou sendo cancelado na última hora, por motivos de segurança. Muito salamaleque, retratos mil, discursos idem, revistas (que irritaram alguns senadores), sorrisos, abraços e apertos de mão. De concreto, porém, neca de pitibiriba. Just public relations…

O Japão foi sacudido por um mega terremoto (900 vezes mais forte que aquele que recentemente devastou o Haiti) seguido de tsunami (com ondas de mais de 10 metros) e vazamento de radiação em usina nuclear. Mais de 10 mil mortos, lares destruídos, famílias idem, economia abalada, desabastecimento e racionamento de energia são apenas algumas das sequelas. Momento realmente difícil para o povo do sol nascente, gente de uma organização e uma abnegação realmente admiráveis. Fiquei com pena deles… 🙁

O ditador Kadaffi (ou Gadaffi, sei lá) bombardeou sem dó os rebeldes líbios e acabou, por conta disto, arrumando uma treta com a França, Inglaterra e o tio Sam, que resolveram retaliar, atacando seus tanques, aviões e bases militares, para “proteger” a população “indefesa”… e os poços de petróleo líbios, of course! E… vive la democratie!

Obtuário

Liz Taylor, dona de uma beleza tão deslumbrante que chegava a ofuscar a grande atriz que era, “seu” Cidinho, pessoa boníssima e personagem muito querido no São Bernardo, bairro de Campinas onde minha esposa passou a infância e parte da juventude, e o Exmo Sr. José Alencar, empresário mineiro e ex-vice-presidente do Brasil, nos deixaram neste mês de março. Fizeram diferença, dentro de seus respectivos universos de atuação, e serão lembrados de maneira carinhosa por aqueles que tiveram a oportunidade de conhece-los ou ao seu trabalho.

Well… acho que isto era tudo o que tinha para dizer por enquanto. Um feedback seu, caro leitor, seria muito bem vindo.
Espero que tenha gostado e… Até a próxima!

P.S. Ah… já ia me esquecendo… neste glorioso primeiro de abril (hehehe!), a Google, seguindo o que já se tornou uma tradição, e inspirada no exemplo do Kinect da Microsoft e do WII da Nintendo, anunciou um produto revolucionário: o Gmail Motion. Com ele passa a ser possível interagir com seu PC, através de sua webcam, de uma maneira totalmente revolucionária e… saudável.
Vale a pena dar uma conferida.
😉