Made in Cuba

Chega a ser engraçado, se não fosse preocupante, a forma indignada (e muitas vezes irracional) como muitas cabeças pensantes, algumas delas tidas como ponderadas e sensatas, têm atacado a decisão recente do governo federal de importar médicos cubanos para minimizar um problema crônico de escassez deste tipo de profissional em algumas regiões brasileiras largadas ao Deus dará.

Preocupante porque muitas destas pessoas são formadoras de opinião (algumas pelos motivos errados), o que pode influenciar de maneira bastante negativa legiões de espíritos bem intencionados porém desavisados.
Não tenho a pretensão de ser, aqui, mais um dono da verdade, muito pelo contrário. Meu objetivo não é trazer certezas e sim lançar dúvidas. (Aliás, este é um problema que enfrento com cada vez mais freqüência: quanto mais leio e reflito a respeito de determinados assuntos mais angustiado fico diante do crescimento explosivo das perguntas que surgem versus o tímido quantitativo das respostas obtidas. Quem sabe, não tenhamos aqui, um assunto para um futuro post?)

Deixando de lado os “entretantos” e indo direto aos “finalmentes”, vejamos algumas das pérolas que se tem dito a respeito dos médicos cubanos:
1) Que são um bando de pobres coitados explorados pelo governo de Cuba que lhes paga apenas uma parcela do que recebem do governo brasileiro e mantem suas famílias reféns para garantir que não deserdem.
2) Que são mal preparados e que, pelo fato de não fazerem um exame de revalidação, normalmente aplicado a médicos estrangeiros, não estão qualificados para exercer a profissão por aqui.
3) Que pelo fato de não dominarem o nosso idioma não têm a menor condição de exercer a medicina com um mínimo de qualidade requerida, uma vez que não conseguem conversar com (e entender) seus pacientes.
4) Que o nosso governo não está interessado em resolver o problema de saúde de ninguém. Que tudo isto é uma manobra eleitoreira para auferir votos nas eleições do ano que vem.

Tá de bom tamanho?
Como diria o velho Jack, vamos às análises por partes…

1)“(…) um bando de pobres coitados explorados pelo governo de Cuba (…)”
Aqui entre nós: é melhor médico cubano do que médico nenhum, certo? Esta gente, que está tão preocupada com as condições de trabalho dos médicos cubanos, não se importa nem um pouquinho com os cidadãos brasileiros que estão sem médicos? A que sindicato (ou grupo de interesse) será que pertencem? Certamente não é pessoal do sindicato das populações desassistidas, pois estas se beneficiarão com a vinda dos médicos cubanos, acredito eu. Tampouco faz sentido serem do sindicato dos médicos brasileiros. Afinal, as oportunidades foram dadas, antes, aos brasileiros e as vagas não foram preenchidas… Se sobra vaga, ninguém está com o emprego ameaçado. Reclamar, portanto, do quê? Ao contrário, parece-me que nossos médicos deveriam ficar felizes, uma vez que um bando de colegas estrangeiros se dispõe a fazer o trabalho que não quiseram (ou puderam) pegar. E com isto, mais pessoas serão curadas. Isto não é bom? (Estaria de acordo com um tal de Juramento de Hipócrates, se não me falha a memória…)

Se são escravos, parecem felizes (ou, pelo menos, disfarçam muito bem). Estavam muito risonhos e com o aspecto saudável, pelo menos os que eu vi pela televisão sendo recepcionados em alguns de nossos aeroportos. Fiquemos atentos!

Em relação ao fato de os médicos cubanos ganharem menos do que o que governo brasileiro lhes paga… Bem, quem diz isto se esquece de que em nenhum lugar do mundo a coisa é diferente. Qual o funcionário que recebe, integralmente, tudo que o cliente paga ao patrão pelo trabalho feito? (No nosso caso, os patrões são dois. Pois o Leão do Imposto de Renda também morde a parte dele.) Por que o governo de Cuba, que é leão e patrão, não deveria, ele também, descontar a parte que lhe cabe? Leão de um país que tem educação e saúde públicas e de qualidade. E patrão que intermediou, junto ao governo brasileiro, um trabalho que dificilmente seria obtido de outra forma.
Como gostam de dizer os economistas: “There is no free lunch…” Nem mesmo em Cuba!

2)“(…) são mal preparados e (…) pelo fato de não fazerem um exame de revalidação (…) não estão qualificados para exercer a profissão aqui.”
Gostaria de saber em que se baseiam aqueles que afirmam que os médicos cubanos estão “mal preparados”. O Canadá e a Inglaterra, por exemplo, se utilizam, em seus sistemas de saúde, de médicos cubanos. E não podemos dizer que, em matéria de saúde pública, estas duas nações não saibam o que estão fazendo, certo? Aliás, além deles, mais algumas dezenas de países se utilizam dos serviços destes profissionais. Além do mais, desde quando médico brasileiro faz exame de qualificação para poder exercer a profissão? (Seria, aliás, uma ótima medida! Quem sabe, o Conselho Federal de Medicina não passe a exigir dos recém formados, para que possam atuar como médicos, um exame semelhante ao que é aplicado pela OAB para os seus advogados?) O fato de estes médicos cubanos não terem feito o referido exame não quer dizer que não estejam qualificados para a tarefa. Significa apenas que o governo federal bobeou, não costurando antes, com a Justiça do Trabalho (ou quem mais de direito) os termos de um acordo que contornasse este contra tempo à luz do interesse nacional e do bem maior da população atendida pela medida. (É para isto que as leis e os acordos políticos existem, certo?)
Ainda em relação a este assunto, ocorreu-me que, na verdade, não estamos contratando diretamente os médicos cubanos. Se assim fosse, a negociação seria individual, médico a médico (e, neste caso, concordo com a necessidade do tal exame de revalidação). Ao contrário, o que se fez foi a contratação de um pacote de serviços médicos de Cuba. Umas 8,5 milhões de horas, segundo minhas estimativas (equivalente a 4000 médicos durante três anos). Como em toda terceirização, neste caso ocorre que é Cuba quem é a responsável pela qualidade dos médicos que colocar aqui. Se houver reclamação do cliente, troca-se o médico. Simples assim.
Posso estar errado… (mais dúvidas que respostas, lembra-se?)

3)“(…) pelo fato de não dominarem o nosso idioma não têm a menor condição de exercer a medicina (…) uma vez que não conseguem conversar com (e entender) os pacientes.”
Há controvérsias. Os pediatras muitas vezes não conseguem, por motivos óbvios, conversar com seus pacientes, os veterinários (que não deixam de ser um tipo de médico) também não. E o que dizer das centenas de voluntários de organizações assistenciais como a Médicos Sem Fronteiras, que atendem populações carentes das mais variadas etnias e que conseguem fazer o seu trabalho a contento, a despeito das barreiras linguísticas (e outras, mais graves) encontradas desde sempre? E nem por isto deixaram de prestar um serviço médico relevante, aliviando o sofrimento e salvando as vidas de milhões.
Não nos enganemos. É evidente que falar a nossa língua ajuda. Mas espanhol não é tão diferente assim de português (há coisas MUITO piores). E o que é necessário saber falar para se fazer uma consulta básica pode ser aprendido em pouco tempo (português instrumental). Nada que um pouco de boa vontade, orientação correta e empenho não resolvam.

4)“(…) Que tudo isto é uma manobra eleitoreira para auferir votos nas eleições do ano que vem.” Em relação a isto eu não tenho a menor dúvida. Mas o que há de errado se, com esta ação, o governo, de fato, resolver (ou, pelo menos, minimizar) os problemas de saúde destas populações carentes que não dispõem do mínimo do mínimo? Não é assim que as coisas funcionas? “Toma lá, dá cá.” (A gente votando em quem resolveu os problemas da gente, certo?)

Parece até que quem está fazendo este estardalhaço todo está mesmo é querendo sabotar a iniciativa da Dona Dilma. “Ver o circo pegar fogo.”
Seria a ação de algum desafeto ou uma trama patrocinada por algum partido de oposição? (Who knows?)
Posso estar errado… (mais dúvidas que respostas, lembra-se?)
Mas dá prá ver que a coisa é “um pouquinho” mais complicada do que as análises rasteiras que andam circulado por aí.
😎

7 comentários sobre “Made in Cuba

  1. Virginia 1 de setembro de 2013 at 09:55

    Pra mim, todas essas “acusações” surgem e ganham força porque a maioria das pessoas lê um post do facebook e acredita piamente no que leu… acha “engraçado” ou “polêmico” e compartilha… sem ao menos ter ido pesquisar sobre a veracidade de tais “piadinhas”… Brasil sil sil…

  2. Alvaro Alfredo Risso 1 de setembro de 2013 at 15:58

    Bira, como vc disse, vamos por parte:

    1 “(…)Aqui entre nós: é melhor médico cubano do que médico nenhum, certo?”
    Bom, a máxima das esquerdas, é q “o fim justifica os meios”. O PT vem, desde q tomou a presidência, destruindo todas as nossas instituições. Só não vê quem não quer. O Congresso, é o mais prejudicado. Agora o ataque se volta ao Judiciário. A MP do Mais Médicos, jogou no lixo toda uma legislação q faz a medicina do nosso país funcionar. Se até agora, qq médico formado no exterior q quisesse clinicar aqui, teria de prestar o Revalida. Aí vou parodiar a sua frase. Melhor esse exame do que nenhum, certo? Se nossas escolas não formam médicos competentes, pelo menos temos com quem reclamar qdo estes cometem erros. E agora, vou reclamar na embaixada? A MP obriga o impensável: Os CRMs tem q “aceitar” e “registrar” tais médicos, sem nem ao menos uma entrevista. Se vc é petralha, concorda com isso já que beneficia seu partido. Se vc é brasileiro, isso é um insulto à inteligência.

    2. “Significa apenas que o governo federal bobeou, não costurando antes, com a Justiça do Trabalho (ou quem mais de direito) os termos de um acordo que contornasse este contra tempo”
    Bobeou? O PT já estava trabalhando nesse propósito há 1 ano e meio (palavras dos próprios petistas) e não mais q 1 mês atrás, afirmou q a importação dos médicos cubanos estava descartada. Ora Bira, eu não sei quais os meios de informação q vc lê, mas dizer que o governo bobeou, aí não, quem está bobeando é o povo brasileiro.

    “Cuba quem é a responsável pela qualidade dos médicos que colocar aqui.”
    Quando eu digo q o PT está destroçando o nosso arcabouço jurídico, essa frase vai contra até o Código do Direito do Consumidor, imagine das outras leis. Se é para desrespeitar nosso Estado de Direito, vamos em frente. Não pense q Cuba é um caos. O caos é usado nas democracias até se implantar a ditadura da esquerda. Nós estamos a caminho. Veja as paralisações, bloqueios de vias, invasões de propriedades e tudo o mais. A nossa democracia não foi construída assim, mas sim, será destruída dessa maneira.

    3. “Os pediatras muitas vezes não conseguem, por motivos óbvios, conversar com seus pacientes, os veterinários (que não deixam de ser um tipo de médico) também não.”
    Essa comparação sua foi sofrível. Os pediatras não conversam com as crianças e sim com os pais delas, assim como os veterinários. Os pais e donos é que sabem dos seus sintomas, o que levaria muito tempo de observação para o profissional chegar à mesma conclusão.
    De qq forma gostei da sua comparação, nossos doentes pobres, serão tratados por médicos que não falam nossa língua, assim comos os animais são tratados pelos veterinários, qdos os donos não estão presentes. Eu uma vez, questionei um professor de esquerda, pq Cuba impedia seus habitantes de sair do país. Ele me respondeu (FB) q era “a favor de Cuba abrir as porteiras” e deixar sair quem quiser. Aí eu concordei com ele e disse: – agora sim, vc mostrou o q acha q habita aquela ilha. Ele simplesmente me bloqueou no FB. Esse pessoal não gosta de ver suas opiniões questionadas, porisso são a favor do Controle da Mídia. Equiparar nossos pobres a animais sem dono é um tanto “zelite” não?

    De qq forma, por enquanto vivemos numa democracia (em frangalhos) e um estado de direito (sob ataque) e podemos contrapor idéias como estas.

    • Ubirajara Costa 2 de setembro de 2013 at 18:20

      Grande Mestre Alfredo,

      Gostaria de enxergar as coisas com a sua clareza e ter tantas certezas quanto você em relação aos fatos retratados. De qualquer forma, acredito que mereça algum um crédito seu, não? Afinal, embora mais novo e apesar de ter começado a prestar atenção em alguns detalhes importantes da “problemática nacional” só recentemente (herança da educação humanística castradora e alienante que me foi impingida durante meus anos de formação, em plena ditadura militar) este tema tem me despertado algum interesse e, acredite-me, considero-me um aluno aplicado. Espero, apenas, viver o suficiente para poder, também, “chegar lá…” 😉

      Com relação aos seus comentários, eis a minha réplica:
      1) Petralha = PT + irmãos Metralha?
      Hum… Interessante. E muito elucidativo também, embora se perceba, pelo seu posicionamento “um tanto engajado”, que a análise feita NÃO é totalmente isenta de viés ideológico, o que me obriga a… “apreciá-la com moderação.” (Nada pessoal. Você me entende, né?)
      Um ex-chefe meu (quem seria?) disse-me, certa vez, que “para um martelo, todos os problemas têm cara de prego.” Pois é… Será que o “endemonizado” partido dos trabalhadores teria uma agenda secreta para tomar o poder (de novo?) e subverter a ordem vigente, implantado uma ditadura do proletariado e utilizando, para isto, as fraquezas naturais das instituições democráticas contra elas mesmas, conforme rezava uma tal de cartilha marxista-leninista, há muito superada pelos fatos da história? Haveria, de fato, uma conspiração minuciosamente engendrada e seguida ao pé da letra, passo a passo?
      (Será que estes caras do PT são tão bons assim que conseguiram realizar o impossível?)

      A única coisa que sei é que as pessoas são motivadas por uma infinidade de estímulos e necessidades diversas. Pode ser até que alguns xiitas insistam em rezar por esta velha cartilha mas, além deles, há também os medrosos, os oportunistas, os espertalhões, as marias-vão-com-as-outras e um montão de outras sub-espécies. Acho difícil de acreditar que exista uma tal firmeza de propósito, com todo mundo do partido engajado e atuando em uníssono, de maneira cooperativa para o atingimento desta meta comum. Ainda mais no Brasil.
      Posso estar errado… (Sei lá… mil coisas!)

      2) Se os fins justificam os meios? Não sei… Você também condenaria o Jean Valjean, de “Os Miseráveis”, a 20 anos de trabalhos forçados pelo simples fato de ele ter, em um momento de extrema aflição e necessidade, roubado um simples pão, só porque esta era lei e “devemos seguir a lei ao pé da letra, sem exceção”, independentemente da situação que se nos apresenta, sob pena de ameaçarmos nossas instituições democráticas?
      Racionando da mesma forma, é lícito deixar que as nossas populações desassistidas continuem indefinidamente largadas à própria sorte? Afinal, como a lei diz que não podemos contratar médicos cubanos (ou impõe tantas restrições que inviabilizam, na prática, a sua rápida contratação) a gente simplesmente “joga mais este lixo para debaixo do tapete…”? E azar dos “sem médico”! É isto mesmo? (Entendi direito?)

      Pelo que te conheço, não acredito que concordasse com isto.

      Não sou PT, caro amigo, mas não posso deixar de sentir alguma simpatia por Dona Dilma pelo fato de ter bancado uma decisão destas… Devemos espernear? Com certeza! Como você mesmo disse: estamos em uma democracia, por enquanto! A solução dada pode não ter sido a melhor mas, como costuma repetir o velho e útil dito popular: “o ótimo é inimigo do bom!”

      Da mesma forma, sou simpático ao fato de o embaixador brasileiro ter, recentemente, tirado o senador boliviano da embaixada à revelia do Governo Federal. Dois pesos e duas medidas? De forma alguma! O critério adotado aqui é, exatamente, o mesmo: nas duas situações o objetivo final foi de natureza humanitária, ajudar o próximo. E este deveria ser, no meu entender, o fiel da balança!

      Inocente útil? (Madre Tereza?) Pode ser…

      3) Sabe o que eu acho que aconteceu? Acredito que o governo quis matar vários coelhos com uma só paulada: ajudar os nossos necessitados “sem médico” (disto não tenho duvidas!), ajudar os “hermanos” daquela famosa ilha caribenha que está há décadas sob um arroxo danado e, ainda de lambuja, ajudar a alavancar a candidatura do Ministro da Saúde para o governo de São Paulo. Não necessariamente nesta ordem.
      Mas como os caras não são um primor de competência, embora estejam se preparando, como você mesmo disse, há meses, acabaram deixando algumas pontas soltas…

      É a isto que eu me referi quando disse que “o governo bobeou”: não fez direito a lição de casa que era devida, imagino eu.
      Poderiam ter antecipado os problemas de logística, com o idioma, com o PROCON, com o Ministério do Trabalho, com o Conselho Federal de Medicina, entre muitos outros. A impressão que me dá é que os problemas não foram suficientemente antecipados e pensados (tenho este vício de profissão) e, por causa disto, agora os caras são obrigados a correr atrás do rabo. E para complicar, parece-me que falta, a este governo atual, o dom da oratória e da articulação, recurso que abundava entre seus antecessores.

      Em uma coisa sou obrigado a concordar com você: este pessoal é mais truculento, mais mandão. E, em uma sociedade altamente complexa como a nossa, isto é um “baita de problemão!” (Muita gente grande, bem maior que a gente, acabou se dando mal por insistir nesta mesma tecla…)
      Como nós dois sabemos, muitas cabeças pensam MAIS e MELHOR que poucas… (ou apenas uma, por mais genial que ela seja, ou acredite ser!)

      E como pode ver, meu “velho” amigo, ao final permanecem muitas perguntas e poucas respostas… 🙁

      Obrigado, de qualquer forma, por me ajudar a refletir sobre e a tentar responder a algumas delas.

      Abração e até a próxima.
      😉

  3. Dulce Costa 2 de setembro de 2013 at 09:13

    Que bom que está de volta ao seu espaço, meu filho! E, como diria seu saudoso pai, “Voltou com a corda toda”… rs… Parabéns! Concordo com você em gênero, número e grau.
    bjs.

  4. Henrique Vitautas Losinskas 2 de setembro de 2013 at 13:32

    Como diria o velho Jack, vamos às análises por partes…

    1)“(…) um bando de pobres coitados explorados pelo governo de Cuba (…)”
    Não, não estamos contratando uma Cooperativa de Serviços Médicos, seu argumento é muito obscuro ainda e ninguém é claro na explicação.

    2)“(…) são mal preparados e (…) pelo fato de não fazerem um exame de revalidação (…) não estão qualificados para exercer a profissão aqui.”
    Lembre-se que não é tão simples trocar um médico em Ferreira Gomes-AP, mais de 100 km de Macapá, a Capital. Se existem vôos de dois em dois dias durante a semana para Macapá, imagina chegar uma notícia de mau atendimento…

    3)“(…) pelo fato de não dominarem o nosso idioma não têm a menor condição de exercer a medicina (…) uma vez que não conseguem conversar com (e entender) os pacientes.”
    Magnífico comparar populações desassistidas com animais e os tais médicos a veterinários…

    4)“(…) Que tudo isto é uma manobra eleitoreira para auferir votos nas eleições do ano que vem.”
    É rasteiro enviar profissionais de saúde com o simples objetivo de angariar votos.
    Pense que se depois da eleição todo esse contingente não receba mais salário e tenham que voltar a seus países de origem. Da mesma maneira que aconteceu com as propaladas obras do PAC, a cuja mãe vc se refere neste post, que se desperdiçaram fortunas em projeto que não saíram do papel e os que começaram estão parados…..
    É uma manobra eleitoreira e da pior espécie. Basta sair pelas Capitais do País e ver a situação de trabalho em Hospitais Públicos. Parece que a vinda dos médicos estrangeiros é a panaceia de todos os males. Irão atender populações que nunca viram um médico na frente e que são a minoria, enquanto a maioria purga em Hospitais sem condições mínimas de dignidade, veja bem, dignidade humana. Uma consulta com especialista demora mais de seis meses. Esse especialista pede um mísero ultra-som e lá se vão mais seis meses.

    5)”Parece até que quem está fazendo este estardalhaço todo está mesmo é querendo sabotar a iniciativa da Dona Dilma. Ver o circo pegar fogo.”
    Caro amigo, o circo já está queimando faz muito tempo.
    A verdade é que ninguém mais joga água no incêndio. Água é caro e precisam se apropriar (confiscar) o capital do Estado (e do povo) para construir obras públicas que raro se tornam realidade e para alimentar a burocracia, distribuindo migalhas e aumentando a dependência do cidadão.
    Esses médicos são apenas mais uma pirotecnia. Pão (amanhecido) e circo (pegando fogo)…

    • Ubirajara Costa 2 de setembro de 2013 at 18:45

      Henrique,

      Sem querer polemizar, polemizando… A comparação do trabalho de um médico veterinário com o trabalho de um médico foi feita para minimizar a argumentação segundo a qual os médicos cubanos são nos servem porque não falam português. Menos!!! Sabemos que, embora mais difícil, este fato não impossibilita o trabalho, especialmente considerando-se a proximidade dos dois idiomas. Seria inocência pressupor que nenhum médico cubano fala português, que eles não estudaram nada de português antes de virem para o Brasil (não se prepararam), que nós, de nosso lado, também não estamos fazendo nada para minimizar o impacto desta limitação. Simplesmente jogamos os caras no meio da selva e eles que se virem… Será sensato supor isto? Aliás, se for mesmo no meio da selva que eles vão atuar, talvez devessem aprender tupi-guarani ou, sabe-se lá, que outra língua se fala por lá… 😉

      Em relação às suas outras colocações, acho-as todas pertinentes e inclino-me a concordar com elas. Só não tenho certeza se este desmonte sistemático em andamento é fruto de algum plano maior e maquiavélico, ou resultado de pura e simples incompetência.

      Obrigado por participar.
      Grande abraço.
      🙂

      • Alvaro Alfredo Risso 3 de setembro de 2013 at 18:30

        Bira,

        Se as pessoas não estão percebendo o objetivo da implantação do caos jurídico…

        Só para recordar:

        “Primeiro levaram os comunistas,
        Mas eu não me importei
        Porque não era nada comigo.
        Em seguida levaram alguns operários,
        Mas a mim não me afectou
        Porque eu não sou operário.
        Depois prenderam os sindicalistas,
        Mas eu não me incomodei
        Porque nunca fui sindicalista.
        Logo a seguir chegou a vez
        De alguns padres, mas como
        Nunca fui religioso, também não liguei.
        Agora levaram-me a mim
        E quando percebi,
        Já era tarde.”

        – Bertolt Brecht

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