Micro & Macro

São 1:30 da madrugada de uma segunda-feira. Perdi o sono…

Um dos maiores desafios que enfrentei quando assumi minha primeira gerência, há mais de 20 anos atrás, foi a transição interna a que tive de me submeter para deixar de fazer (ou parar de ensinar aos outros como fazer) as coisas e passar a confiar na avaliação técnica e no julgamento de especialistas, que sabiam mais do que eu, em determinados assuntos.

Em outras palavras, tive que aprender a delegar. (E devo confessar que não foi uma transição das mais fáceis…)

Acostumado, como estava eu, a ser considerado, pelos meus pares, um dos melhores em meu ramo de atuação (na época, um programador sênior tarimbado e especialista em modelagem de dados), havia-me apoiado em meu conhecimento técnico e experiência anteriores, adquiridos durante anos de trabalho dedicado e muito auto-estudo, para orientar minhas decisões e balisar minha nova forma de trabalhar.

Funcionou perfeitamente quando, da primeira vez, fui promovido para uma função de liderança técnica. Meus colaboradores imediatos executavam tarefas que eu dominava completamente e esta competência técnica proporcionou-me uma base sólida, onde finquei os alicerces da minha liderança e autoridade.

O problema agora era bem diferente. O passo seguinte, que estava dando na hierarquia gerencial, exigia que eu coordenasse um grupo de especialistas que dominavam assuntos a respeito dos quais eu tinha apenas uma razoável idéia. Fiquei desconfortável. Havia, evidentemente, aproveitado meu tempo como lider técnico para conhecer melhor o “modus operandi” da companhia, desenvolver um relacionamento cordial com meus pares e principais líderes (sabia quem era quem, a quem poderia recorrer para resolver determinado tipo de problema, com quem podia contar e em quem não devia confiar). Interessei-me pelo assunto da administração de empresas (cheguei a prestar vestibular e frequentar dois anos de um curso noturno na USP). Enfim, procurei me preparar para a missão de realizar as tarefas, a mim confiadas, através do trabalho das pessoas que estavam sob minha responsabilidade, sem que eu mesmo soubesse realizar o referido trabalho.

In the beginning, VERY weird… E bastante intimidador! 🙁

Quanto mais alto subimos na hierarquia gerencial, pior a situação fica… Deixamos, nos assuntos técnicos, de ser especialistas para nos tornarmos generalistas. Tornamos-nos especialistas em uma nova categoria profissional: a de gestores.

Quando é que esta “escalada” acaba? Bem… um amigo meu costumava dizer que o limite é a medida da nossa incompetência. Enquanto formos competentes no que fazemos, subimos. Quando deixamos de fazê-lo, empacamos. Fim da linha!  (Muita maldade dele, não?)

É evidente que nem todos nós somos talhados para a função gerencial. O fato de um sujeito querer (ou gostar de) mandar, e de estar em uma posição que permita fazê-lo, não significa que tenha competência para tal… (Tive a oportunidade de vivenciar isto, mais de uma vez, ao longo dos meus vinte e tantos anos de trabalho no ramo de TI, durantes os quais atuei de estagiário a diretor-técnico, em doze diferentes empresas.)

Uma coisa interessante de se observar é que um sujeito pode ser um mau gestor e, mesmo assim, as coisas andarem… Por inércia, incompetência do chefe dele, porque ele tem um “QI” elevado, e coisas do tipo. Há muito desperdício, muito retrabalhado, sangue, suor e lágrimas desnecessários no mundo corporativo. Coisas que poderiam ser feitas mais rapidamente, de uma forma mais simples ou mais barata. Ou simplesmente, que não precisavam ser feitas de forma alguma…

Uma pena!

bandeiraSe incompetência gerencial já é um aborrecimento crônico no mundo corporativo, no governo é uma verdadeira catástrofe. Da mesma forma que nas empresas, no governo há de tudo: dedicados e oportunistas, mandriões e carreiristas. Há chefes que, conscientes da sua limitação em determinados assuntos, optam por uma linha de ação na qual procuram se cercar de pessoas competentes que supram tais lacunas (o tipo de coisa que se aprende a fazer nas escolas de gestão). E há, também, os “donos da verdade”, que parecem não escutar ninguém e se acham na obrigação de dar, sempre, a última palavra em tudo!

As consequências da má gestão, no caso do governo, costumam ser muito graves, em razão das escalas envolvidas. Quando uma empresa faz muita bobagem, fica mal das pernas, acaba comprada por outra ou quebra e encerra as portas. Quando a bobagem é do governo, especialmente quando a incompetência gerencial atinge o topo da cadeia de comando, o número de pessoas afetadas conta-se na casa dos milhões e o volume de recursos desperdiçados, na de bilhões… De dólares!

É mole?  🙁

Como evitar a má gestão? Contratando (ou elegendo) líderes gestores, que sejam competentes. Mas isto não é uma tarefa muito fácil…

Vejamos o caso de nossos dois últimos presidentes da República: o Sr. Lula e a Dona Dilma.

Ambos são do mesmo partido, abraçam as mesmas causas sociais e, em teoria, esperava-se (eu, pessoalmente, pelo menos, achava isto) que ela teria mais sucesso que ele. Primeiro, dado que se beneficiaria do conhecimento acumulado durante a gestão de seu antecessor. (Afinal, os partidos, como nós, também aprendem com os próprios erros, não?) Em segundo lugar, pelo fato de ela (uma economista formada) ser uma pessoa “MUITO mais estudada” do que ele (um “simples” torneiro mecânico e ex-lider sindicalista). Certo?

Ledo engano…

Parece que, contrariando minhas ingênuas expectativas, o Sr. Lula, consciente de suas limitações no campo do ensino formal, compensou-as cercando-se de quem parecia “entender do riscado” mais do que ele próprio… (Sabemos, agora, que até demais… Hehehe!) Isto resultou em autonomia, de fato, para o Banco Central. Fez com que se desse  continuidade a uma política criada pelo seu antecessor, de um partido rival (“em time que está ganhando não se mexe…”). Enfim, Mr. Lula compensou suas eventuais deficiências técnicas com uma extrema habilidade para reunir, em seu redor, um grupo gente que soubesse como “fazer acontecer”…

A literatura especializada costuma referir-se a exemplos deste tipo como sendo os de um verdadeiro lider! 😉

VEJA BEM… (Hehehe) eu NÃO sou lulista (e de forma alguma acho que ele deveria voltar a ser presidente deste país… Precisamos de  sangue novo, ideias novas, renovação!)

Mas não há como negar que, do ponto de vista dos resultados macroeconômicos alcançados durante a sua gestão, o Ilmo Sr. ex-presidente Luis Ignácio Lula da Silva se saiu MUITO melhor que a  nossa atual mandatária.

Fatores estruturais favoráveis, fora do seu alcance (como, por exemplo, a China comprando feito uma doida e o FED zerando as taxas de juros americanas), contribuíram para o seu sucesso? Pode até ser… A sorte, sabemos muito bem, é um ingrediente importante na vida, como em um jogo de cartas. Mas é preciso saber jogar. E a um jogador hábil é sempre dada a possibilidade de ganhar, a despeito das cartas que tenha nas mãos.

O mesmo, infelizmente, parece que  não pode ser dito da nossa querida “presidenta”…

Com uma frequência preocupante, ela consegue se superar a cada dia:  cada vez mais turrona, cada vez mais impulsiva, mais acuada e impotente. Sem querer fazer, aqui, trocadilho de mau gosto: ela está, literalmente, “perdidinha da Silva”.

E eu estou pasmo!

(Como puderam enganar tanta gente por tanto tempo? Como chegamos a este ponto, meu Deus, de termos um governo assim,  tão ruim?)

Onde estou querendo chegar com esta estória toda?

Hum… Acho que acabei divagando um pouquinho aqui, né? Estou cansado. Vou dormir.

Inté!
😎

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