Je suis Charlie (?)

“Como não poderia deixar passar em brancas nuvens os comoventes acontecimentos da última semana, a respeito dos quais teço aqui algumas considerações…”

Não sou nenhum profundo conhecedor de estratégias antiterroristas ou técnicas de controle de massas mas… qual a utilidade de se mobilizar elevado contingente de militares, como vem fazendo a França, ao longo da última semana, em resposta ao ataque ocorrido no semanário Charlie Hebdo? Foram deslocados quase 10 mil homens e mulheres para este fim, além dos habitualmente alocados em serviços de segurança interna, como inteligência e patrulhamento ostensivo. Será que eles esperam, para breve, novos ataques, em continuidade aos últimos?

Se sim, como, e por quanto tempo, pretendem manter este oneroso contingente extra, mobilizado, motivado, alerta e, efetivamente, atuante? Vão começar a pedir na rua a carteira de identidade de todo mundo que parecer suspeito? (Aliás, qual a aparência de um “suspeito”?) Existem, atualmente, mais de 5 milhões de muçulmanos morando na França. Uma grande parte deles é francesa de nascimento. Checar todo mundo, o tempo todo, seria, de alguma forma, útil? Ou desejável? Ou, mesmo, factível?

Se eu fosse terrorista, eu dava um tempo, esperava as coisas se acalmarem, este contingente todo se desmobilizar e, só então, voltaria à carga. Convenhamos que esta é uma ideia bem simplória, que certamente deve ter ocorrido a um “zilhão” de terroristas, certo? Portanto, qual a efetividade da mobilização, a não ser “mostrar serviço”, dar a ilusão de que alguém (neste caso, o próprio governo) está fazendo alguma coisa… No mínimo, aumentar, na população, a sensação (psicológica!) de segurança… Será isto?

Pessoalmente, não estou muito convencido desta última afirmação. Tenho lembrança de duas ocasiões vividas, uma quando tinha uns oito anos de idade (nos idos da “era de chumbo”, quando era comum a guerrilha brasileira atacar agências bancárias para financiar as suas ações) e outra já maduro (quando, por motivos profissionais, tive que visitar uma Guatemala recém pacificada), em que a presença maciça, nas ruas, de soldados portando metralhadoras, acabou tendo um efeito exatamente oposto, produzindo em mim um medo desmedido e desnecessário.

Para arrematar, os ultrarradicais da Frente Nacional (partido francês de direita) perderam uma ótima oportunidade de se promoverem ao não participar das manifestações generalizadas ocorridas no último fim-de-semana, em diversos pontos da França, que reuniram mais de quatro milhões de pessoas, para homenagear as vítimas dos recentes atentados terroristas e expressar o seu repúdio pelo fanatismo religioso. O problema é que o pessoal da FN é adepto da máxima do “dente por dente, olho por olho”, não gosta muito de imigrantes e muito menos de muçulmanos.

Nós, brasileiros, sabemos, por experiência própria, que a fusão de raças e culturas diversas, possibilitada pela imigração, nos enriquece, provê sinergia e acaba, no final, se revelando uma coisa boa. Sabemos, também, que nem todo muçulmano é um fanático terrorista!

Parece-me que o pessoal da FN não sabe nada disto… (Este assunto ainda vai dar muito pano prá manga!)
😎

P.S. Por mais hediondo, e injustificável, que tenha sido o ataque dos irmãos Kouachi ao semanário satírico, os caras do jornal francês abusaram da sorte… (Já haviam sofrido atentado a bomba antes e precisavam de proteção policial, ineficaz como os fatos acabaram demonstrando.) E, embora, pessoalmente, eu concorde, em princípio, com o direito inalienável da liberdade de expressão, considero cortesia, polidez e boa educação como sendo coisas MUITO boas, as quais aprecio sobremaneira. Cultivá-las demonstra, no mínimo, um certo grau de finesse, expressão francesa que as vítimas do atentado pareciam não valorizar muito, sabe-se lá por qual motivo.

À primeira vista, este fato poderia demonstrar uma “aparente” contradição, visto serem, eles mesmos, os tais jornalistas mortos, representantes de uma certa intelectualidade estudantil diretamente envolvida com uns movimentos reivindicatórios ocorridos em Paris, em maio de 1968. Portanto, la crème de la crème! É interessante observar que, no mundo do politicamente correto, da “descoberta” americana do velho e conhecido bullying (vai me dizer que você nunca sofreu, ou presenciou, este tipo de coisa em casa, na rua ou na escola, quando era criança…) a gente acaba tendo a tendência pueril (complexo de vira-lata?) de achar que tudo aquilo que vem “daquela parte das Europa que fala fazendo biquinho”, é, necessariamente (só por causa da sua origem), muito melhor, ou superior, ao que temos “porraqui”… Ledo engano!

Os caras podiam ser muito inteligentes, algumas vezes espirituosos (ou, mesmo, engraçados) mas não tinham o mínimo de educação, ou consideração pelas crenças dos outros… Ridicularizar o outro, porque não pensa como você, é bullying na melhor acepção da palavra, grosseria pura mesmo… e total incivilidade! Pior quando você se esconde atrás de uma publicação, alegando seu “direito inalienável de liberdade de expressão”, para falar qualquer (desculpem o termo) merda que lhe dê na telha. Comportamento que não contribui, em nada, para a construção de uma sociedade pluralista, que valorize a multiplicidade de visões de mundo ou que tolere as diferenças.

A fronteira é tênue, eu sei. E navegar nela, com maestria, é MUITO difícil… (exige sensibilidade, “bom senso” e responsabilidade!) Para alcançarmos a utopia da paz mundial imaginada pelo grande John Lennon, não podemos nos esquecer, jamais, de uma  máxima de outro guru, o iluminado Siddhartha Gautama, que diz: “A virtude está no meio.”

Pensado bem… “Je ne suis pas Charlie Hebdo.”

Pas de tout!  😎

Querido pai (in memoriam)

Não sei se há, mesmo, uma vida após a morte; se podemos, realmente, nos comunicar com os mortos; se existe uma alma imortal, com direito a segunda chance e repescagem ou se, ao contrário, a morte é o fim de tudo e, depois dela, sobrevêm o nada.
Decerto, tenho cá, comigo, uma ideias “meio materialistas” a respeito destes assuntos mas, devo confessar, não ficaria nada desapontado, ou mesmo aborrecido, se, depois de morto, viesse a constatar que estava redondamente enganado!
Seria uma daqueles ocasiões em que (os casados sabem do que estou falando…) NEM SEMPRE o melhor é a gente ter razão ou estar certo. 🙂

Saindo dos “entretantos” e entrando nos “finalmentes”, o fato é que o dia de finados se aproxima e, queiramos ou não, a data enseja em nós um momento de reflexão sobre o grande fato definidor (ou, se preferirem, delimitador) de nossas vidas, que é a morte. É quando damos um tempo, na correria do dia-a-dia, para nos lembrarmos e celebrarmos, com carinho e respeito, daqueles que já se foram desta para melhor.
No México costumam fazer uma grande festa neste dia. Por aqui, costumamos ser mais reservados e contidos.

Nos cinquenta e poucos anos de existência que me foram dados viver até agora, já perdi muitas pessoas queridas: parentes, amigos, colegas e ídolos. Cada um me tocou de uma forma diferente e aprendi com todos.
Resolvi, neste ano, celebrar os meus mortos e, na impossibilidade (por limitações minhas) de ser justo e fiel à memória de todos eles, decidi fazê-lo escrevendo algumas linhas sobre um em particular, meu pai, na expectativa de que o espírito da mensagem esteja à altura dos homenageados e que a mesma possa se estender igualmente aos demais. Espero que gostem…

Trata-de de uma carta “in memoriam”, onde procuro recordar alguns dos inúmeros bons momentos que tivemos juntos e destacar aquilo que foi, para mim, o seu maior ensinamento: o gosto pelos livros, uma fé inquebrantável na capacidade do espírito e engenho criativo humanos, uma curiosidade inata sobre as coisas do mundo e um deslumbramento infinito com as descobertas das maravilhas da mãe natureza, que nos acolhe e que existe em cada um de nós.

Dito isto, e entrando de fato nos “finalmentes”, vamos a ela:

Querido pai,

Às vezes sinto uma saudade enorme sua. Tão grande e apertada que chega, mesmo, a doer…
Ahrre!!! Sinto falta das suas apaixonadas (e didáticas) explicações sobre como os romanos foram derrotados pelo exército do astuto Aníbal (que cruzou os Alpes montado em elefantes), de como o processo de previsão de tempo é baseado em cálculos computacionais complexos (que levam em consideração milhões de parâmetros coletados por milhares de estações meteorológicas e modelos matemáticos sofisticados).
Ou, simplesmente, de um “causo” curioso, ou engraçado, passado quando o senhor era menino, e estudava na escola agrícola de Barbacena… 🙂

Lembro-me, pai, dos passeios que fazíamos ao centro da cidade, quando íamos de ônibus, eu segurando na sua mão para atravessarmos as ruas mais movimentadas, e de como o senhor sempre dava um jeitinho para fazermos “aquela parada obrigatória” na barraquinha do pastel, para “traçar” um de carne e outro de queijo, fritos na hora… (e, até hoje, os melhores que já comi, “juro por Deus!”).
E de quando jogávamos “gol a gol”, o mano e eu contra o senhor, no quintalzinho da nossa casa da Rua Caquito.
Havia também as barrinhas e “cigarrinhos” de chocolate “Pan” (naquela época, tão bons…) que o senhor trazia à noite, para casa, quando voltava das suas aulas na USP.

Lembra-se da primeira vez que me levou ao cinema para assistirmos a “Jasão e o velo de ouro”? Durante o intervalo foi quando eu vi meu primeiro arco-iris de verdade e ao vivo. Lindo! E da estreia de “2001, Uma Odisseia no Espaço”, que eu amei, embora não tivesse entendido nem metade da estória. (A propósito, tinha exatos dez anos, na ocasião, e como parecia menos quase não me deixaram entrar para assistir ao épico.)

História militar (“Combateremos à sombra!”), arqueologia, matemática, física, cosmologia (Big Bang), economia, política, biologia, computação… a lista de assuntos de que gostava (e dominava) era bastante extensa e eclética. E os livros, então? Era livro para tudo quanto era lado… (Esta mania herdei de você… hehehe!).
Havia também a sua paixão incondicional pela Brigitte Bardot e pela Julia Roberts (que mamãe mal tolerava…), pelas “Jornadas” de Kirk e Spock, pela revista “Scientific American” (em inglês!), pela Bossa Nova de Tom e Vinícius, os “standards” na voz impecável de Johnny Mathis (aqueles discos de vinil tocaram até furar…), o charme sofisticado do velho “chansonnier” Aznavour, Paris (a eterna cidade luz), Saint-Exupéry (o escritor-aviador do “Pequeno Príncipe”, meu primeiro livro em francês), os deuses da mitologia greco-romana, Sean Connery (“James Bond”), o Velho e o Novo Testamentos (imagina se você fosse crente… vixe!), o Newton da maçã, Galileu, Pascal, Descartes (“Cogito, ergo sum.”), Lavoisier (“Na natureza nada se cria…”), Laplace, Fourier (e suas as famosas transformadas), o método de Monte Carlo, as cadeias de Markov, Landau, Fidel (“Êta cabra macho!”), JK, Napoleão, Zhukov (batalha de Kursk), Brizola (outro “cabra macho”), Ulisses (os três), Keynes, Marx (“mais valia”), Einstein (E=mc2), Planck, Bohr, Gell-Mann (“quarks”), Hermman Khan (teórico do “impensável”), Asimov (dos robots), Gamow, Hubble, Sagan (Cosmos), Darwin (“O homem descende do macaco…”), Pasteur, Babbage, von Neumann, Turing, Kennedy (“cabra macho”, indeed!), Galbraith, Da Vinci, Monet, Van Gogh, Renoir, Júlio Verne, H. G. Wells, Orwell (1984)… Esqueci-me de alguém, pai? De muitos, com certeza… Desculpe!
Estes gigantes, que habitavam o seu imaginário cotidiano, que o senhor tanto admirava e cujas descobertas e realizações tanto o fascinavam, conheci-os, a quase totalidade deles, por seu intermédio, através de seus olhos e, por isto, (por mais esta “herança”) sou-lhe eternamente grato.

Com alguma sorte, talvez possa deixar (quem sabe?), quando eu me for deste mundo (em um futuro bem distante… espero!), lembranças igualmente agradáveis e ensinamentos tão significativos como estes, dos quais tenho hoje o privilégio de usufruir, frutos da convivência com um ser humano tão especial que, quis o destino, fosse meu pai.

Obrigado, “meu velho”, mais uma vez e por tudo isto.

E feliz dia dos mortos!
🙂

Made in Cuba

Chega a ser engraçado, se não fosse preocupante, a forma indignada (e muitas vezes irracional) como muitas cabeças pensantes, algumas delas tidas como ponderadas e sensatas, têm atacado a decisão recente do governo federal de importar médicos cubanos para minimizar um problema crônico de escassez deste tipo de profissional em algumas regiões brasileiras largadas ao Deus dará.

Preocupante porque muitas destas pessoas são formadoras de opinião (algumas pelos motivos errados), o que pode influenciar de maneira bastante negativa legiões de espíritos bem intencionados porém desavisados.
Não tenho a pretensão de ser, aqui, mais um dono da verdade, muito pelo contrário. Meu objetivo não é trazer certezas e sim lançar dúvidas. (Aliás, este é um problema que enfrento com cada vez mais freqüência: quanto mais leio e reflito a respeito de determinados assuntos mais angustiado fico diante do crescimento explosivo das perguntas que surgem versus o tímido quantitativo das respostas obtidas. Quem sabe, não tenhamos aqui, um assunto para um futuro post?)

Deixando de lado os “entretantos” e indo direto aos “finalmentes”, vejamos algumas das pérolas que se tem dito a respeito dos médicos cubanos:
1) Que são um bando de pobres coitados explorados pelo governo de Cuba que lhes paga apenas uma parcela do que recebem do governo brasileiro e mantem suas famílias reféns para garantir que não deserdem.
2) Que são mal preparados e que, pelo fato de não fazerem um exame de revalidação, normalmente aplicado a médicos estrangeiros, não estão qualificados para exercer a profissão por aqui.
3) Que pelo fato de não dominarem o nosso idioma não têm a menor condição de exercer a medicina com um mínimo de qualidade requerida, uma vez que não conseguem conversar com (e entender) seus pacientes.
4) Que o nosso governo não está interessado em resolver o problema de saúde de ninguém. Que tudo isto é uma manobra eleitoreira para auferir votos nas eleições do ano que vem.

Tá de bom tamanho?
Como diria o velho Jack, vamos às análises por partes…

1)“(…) um bando de pobres coitados explorados pelo governo de Cuba (…)”
Aqui entre nós: é melhor médico cubano do que médico nenhum, certo? Esta gente, que está tão preocupada com as condições de trabalho dos médicos cubanos, não se importa nem um pouquinho com os cidadãos brasileiros que estão sem médicos? A que sindicato (ou grupo de interesse) será que pertencem? Certamente não é pessoal do sindicato das populações desassistidas, pois estas se beneficiarão com a vinda dos médicos cubanos, acredito eu. Tampouco faz sentido serem do sindicato dos médicos brasileiros. Afinal, as oportunidades foram dadas, antes, aos brasileiros e as vagas não foram preenchidas… Se sobra vaga, ninguém está com o emprego ameaçado. Reclamar, portanto, do quê? Ao contrário, parece-me que nossos médicos deveriam ficar felizes, uma vez que um bando de colegas estrangeiros se dispõe a fazer o trabalho que não quiseram (ou puderam) pegar. E com isto, mais pessoas serão curadas. Isto não é bom? (Estaria de acordo com um tal de Juramento de Hipócrates, se não me falha a memória…)

Se são escravos, parecem felizes (ou, pelo menos, disfarçam muito bem). Estavam muito risonhos e com o aspecto saudável, pelo menos os que eu vi pela televisão sendo recepcionados em alguns de nossos aeroportos. Fiquemos atentos!

Em relação ao fato de os médicos cubanos ganharem menos do que o que governo brasileiro lhes paga… Bem, quem diz isto se esquece de que em nenhum lugar do mundo a coisa é diferente. Qual o funcionário que recebe, integralmente, tudo que o cliente paga ao patrão pelo trabalho feito? (No nosso caso, os patrões são dois. Pois o Leão do Imposto de Renda também morde a parte dele.) Por que o governo de Cuba, que é leão e patrão, não deveria, ele também, descontar a parte que lhe cabe? Leão de um país que tem educação e saúde públicas e de qualidade. E patrão que intermediou, junto ao governo brasileiro, um trabalho que dificilmente seria obtido de outra forma.
Como gostam de dizer os economistas: “There is no free lunch…” Nem mesmo em Cuba!

2)“(…) são mal preparados e (…) pelo fato de não fazerem um exame de revalidação (…) não estão qualificados para exercer a profissão aqui.”
Gostaria de saber em que se baseiam aqueles que afirmam que os médicos cubanos estão “mal preparados”. O Canadá e a Inglaterra, por exemplo, se utilizam, em seus sistemas de saúde, de médicos cubanos. E não podemos dizer que, em matéria de saúde pública, estas duas nações não saibam o que estão fazendo, certo? Aliás, além deles, mais algumas dezenas de países se utilizam dos serviços destes profissionais. Além do mais, desde quando médico brasileiro faz exame de qualificação para poder exercer a profissão? (Seria, aliás, uma ótima medida! Quem sabe, o Conselho Federal de Medicina não passe a exigir dos recém formados, para que possam atuar como médicos, um exame semelhante ao que é aplicado pela OAB para os seus advogados?) O fato de estes médicos cubanos não terem feito o referido exame não quer dizer que não estejam qualificados para a tarefa. Significa apenas que o governo federal bobeou, não costurando antes, com a Justiça do Trabalho (ou quem mais de direito) os termos de um acordo que contornasse este contra tempo à luz do interesse nacional e do bem maior da população atendida pela medida. (É para isto que as leis e os acordos políticos existem, certo?)
Ainda em relação a este assunto, ocorreu-me que, na verdade, não estamos contratando diretamente os médicos cubanos. Se assim fosse, a negociação seria individual, médico a médico (e, neste caso, concordo com a necessidade do tal exame de revalidação). Ao contrário, o que se fez foi a contratação de um pacote de serviços médicos de Cuba. Umas 8,5 milhões de horas, segundo minhas estimativas (equivalente a 4000 médicos durante três anos). Como em toda terceirização, neste caso ocorre que é Cuba quem é a responsável pela qualidade dos médicos que colocar aqui. Se houver reclamação do cliente, troca-se o médico. Simples assim.
Posso estar errado… (mais dúvidas que respostas, lembra-se?)

3)“(…) pelo fato de não dominarem o nosso idioma não têm a menor condição de exercer a medicina (…) uma vez que não conseguem conversar com (e entender) os pacientes.”
Há controvérsias. Os pediatras muitas vezes não conseguem, por motivos óbvios, conversar com seus pacientes, os veterinários (que não deixam de ser um tipo de médico) também não. E o que dizer das centenas de voluntários de organizações assistenciais como a Médicos Sem Fronteiras, que atendem populações carentes das mais variadas etnias e que conseguem fazer o seu trabalho a contento, a despeito das barreiras linguísticas (e outras, mais graves) encontradas desde sempre? E nem por isto deixaram de prestar um serviço médico relevante, aliviando o sofrimento e salvando as vidas de milhões.
Não nos enganemos. É evidente que falar a nossa língua ajuda. Mas espanhol não é tão diferente assim de português (há coisas MUITO piores). E o que é necessário saber falar para se fazer uma consulta básica pode ser aprendido em pouco tempo (português instrumental). Nada que um pouco de boa vontade, orientação correta e empenho não resolvam.

4)“(…) Que tudo isto é uma manobra eleitoreira para auferir votos nas eleições do ano que vem.” Em relação a isto eu não tenho a menor dúvida. Mas o que há de errado se, com esta ação, o governo, de fato, resolver (ou, pelo menos, minimizar) os problemas de saúde destas populações carentes que não dispõem do mínimo do mínimo? Não é assim que as coisas funcionas? “Toma lá, dá cá.” (A gente votando em quem resolveu os problemas da gente, certo?)

Parece até que quem está fazendo este estardalhaço todo está mesmo é querendo sabotar a iniciativa da Dona Dilma. “Ver o circo pegar fogo.”
Seria a ação de algum desafeto ou uma trama patrocinada por algum partido de oposição? (Who knows?)
Posso estar errado… (mais dúvidas que respostas, lembra-se?)
Mas dá prá ver que a coisa é “um pouquinho” mais complicada do que as análises rasteiras que andam circulado por aí.
😎

“Esquecimento…”

PessoAll,

Este tal de Facebook está drenando toda a minha disposição e capacidade criativa para escrever… Tenho colocado muita coisa lá, e deixado este meu pobre site às moscas. Por conta disto, resolvi, a partir de agora, reproduzir aqui os comentários lá postados, e que considere merecedores de serem compartilhados neste meu cantinho “privé”. 😉

Well… o assunto deste post é um filme que assisti ontem e que não me sai da cabeça.
Trata-se de “Oblivion”, que em inglês quer dizer “esquecimento”.
É também o nome do último blockbuster de ficção-científica do super-hiper-astro-galã Tom Cruise. Eu, pessoalmente, não curto muito a figura do Tom Cruise. Considero-o um “filho da mãe” que se acha o tal, na maior parte do tempo. E que interpreta sempre o mesmo papel, dele mesmo. Pode ser implicância minha… (talvez alguma ponta de inveja oculta, sei lá!) O fato é que o “mardito” tem um faro apurado para trabalhar em ótimos filmes de ação e sci-fi, como os imperdíveis “Minority Report” e “Vanilla Sky”.
“Oblivion”, em minha opinão, está à altura desta dupla de clássicos.
Adianto que o forte do filme não são as cenas de ação. As paisagens, por outro lado, são de tirar o fôlego. E a trilha sonora é bastante competente (cheguei a baixar algumas músicas do iTunes).
Agora, o mais importante é que nem tudo é, explicitamente, dito… Jack Harper, o personagem de Cruise (e quem assiste ao filme tb), vai descobrindo as coisas aos poucos…
Se eu tivésse que resumir a moral da estória em uma única frase, diria: “As aparências enganam!”
Uma última coisa: para apreciá-lo, vocês não podem ter, ou estar com, preguiça de pensar… (lembram-se de “Blade Runner”?) Mas, acreditem-me, vale muito a pena.
A despeito do título, trata-se de um filme que, com certeza, não vai cair no esquecimento.
Espero que gostem. 😉

P.S. O trailer pode ser visto aqui.

And here I go, again…

Antes de mais nada, gostaria de agradecer aos amigos e conhecidos que me cobraram, reiteradas vezes, novos posts neste blog. Sorry, folks! Eu sei que não adianta tentar explicar o inexplicável (ou chorar sobre o leite derramado… etc e tal.) O que passou, passou. O negócio, agora, é… bola pra frente!

Para quem está chegando agora, deixe-me esclarecer melhor o que aconteceu: durante uma boa parte de 2011 compareci, por aqui, com uma certa regularidade (pelo menos uma vez por mês) para escrever sobre assuntos variados, de meu interesse, que considerava dignos de uma conversa animada (e inteligente) em uma roda de amigos, durante um happy hour de fim-de-tarde.

O ideal seria fazê-la em algum barzinho da zona sul carioca, à beira-mar, acompanhado de uma “loirinha estupidamente gelada”. Ou, na falta destes, serviria um autêntico e aconchegante pub inglês, numa tarde chuvosa de outono em Covent Garden ou, até mesmo (vá lá!), “dans um petit bistrot”, no coração do Quartier Latin, saboreando um legítimo e encorpado “rouge” MADE IN FRANCE.
Não seria nada mal, heim? Afinal de contas, sonhar, minha gente, é “muitcho bão” e não paga imposto algum! Certo?

Bem…, na impossibilidade de realizar esta minha singela fantasia, ocorreu-me que, graças à maravilha da tecnologia que é a Internet, poderia, se não compartilhar os espaços, pelo menos as ideias, que poderiam ser lidas e discutidas livremente, em qualquer tempo e lugar. Esta era, e continua sendo, a minha proposta.

Mas, como todos (e, principalmente, Joseph Climber) sabem, “a vida é uma caixinha de surpresas”.
Ocorreram algumas mudanças em meu trabalho, que por motivos óbvios não posso aqui comentar, que acabaram minando a minha disposição de, como diria o velho mestre Millôr, livre pensar e escrever.
Aliado a este fato houve, também, a descoberta (e inevitável encantamento inicial) do Facebook.

“Mardito” FB! Gasta-se muito tempo lendo um montão de bobagens lá. No começo é até divertido, mas os assuntos (e as pessoas) acabam se tornando repetitivos, chatos mesmo. (Sorry, again, folks!) O Facebook mostrou-se uma ótima ferramenta para se saber a quantas anda aquele amigo distante, que não vemos há tempos, ou como foi “aquela” festa na qual não deu para comparecer. Conduzir uma conversa mais séria sobre o que quer que seja lá é, simplesmente, impraticável. O negócio, na verdade, não foi feito pra isto. O mais que se pode encontrar lá é um ou outro comentário mais espirituoso e zilhões de “Curtir”.
Menos, né?

Resumindo a ópera… e sem querer explicar o inexplicado, o fato é que fiquei mais de um ano sem escrever aqui. A fonte, simplesmente, secou. Mas, como costumava dizer minha saudosa vovózinha portuguesa, “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”. Ao fim e ao cabo, consegui superar os obstáculos e… I am back!
Espero que gostem… 😉

De Humani Corporis Fabrica

Antes de mais nada peço desculpas aos meus leitores pela demora na entrega deste post. Estou atrasado, eu sei. Mas é que ocorreram “zilhões” de coisas na minha vida, pessoal e profissional, nestes quase três meses de ausência.

Envolvi-me, de uma maneira inesperada, em um novo projeto de trabalho que, felizmente, está frutificando e promete dar um novo alento (novas possibilidades?) para minha, já um tanto desgastada, carreira e ambições profissionais… Não dá para falar muito mais do que isto, aqui e agora. Peço a todos, apenas, que torçam por mim, OK?

Em segundo lugar, minha cadela labrador, depois de duas semanas de muito sofrimento (para ela e para todos nós), acabou, para alívio e tristeza geral, morrendo a caminho do hospital. Estava com cancer metastásico, diagnosticado tardiamente, (a despeito das consultas frequentes ao veterinário… pode?) provavelmente originado nas mamas. Pois é, cadelas também têm este problema, especialmente se não tiverem sido castradas antes do primeiro cio. Infelizmente, descobri isto da pior forma possível: por experiência própria!
É incrível como a gente se afeiçoa a estes bichinhos e a perda deles é sentida como se fosse a de um membro da família. Depois de quase 12 anos de convívio diário não me acostumei, ainda, ao fato de que, ao chegar em casa, ela não estará mais lá, alegre e saltitante, a me saudar com os olhos meigos e a cauda em movimento perpétuo, pronta para brincar comigo e me ajudar a desanuviar a cuca, depois de um dia pesado de trabalho. Ela era minha Happy Hour! Vou sentir saudades… 🙁

Aconteceram também as tão esperadas (e programadas) férias de julho! New York é, simplesmente, fabulosa! Faz juz a toda a fama que tem… e merece um post à parte. Boston, outro destino desta nossa viagem familiar, idem. Aguardem! 😉

And last, but not the least, tem o livro que estou devorando sofregamente (pego-o sempre que surge alguma brecha de tempo livre) e sobre o qual gostaria de me estender um pouquinho aqui. Trata-se da minha “recomendação literária do mês” e é a razão do título um tanto esquisito (em latim) deste post. Estou falando de “Sangue e Entranhas – A assutadora História da Cirurgia.” do médico e jornalista inglês Richard Hollingham, publicado no Brasil pela Geração Editorial. Em uma avalição objetiva (=curta e grossa) eu diria que este livro é, simplesmente, DEMAIS!!! Seguramente um dos melhores que li nestes últimos dez anos (e, acreditem-me, não foram poucos!) 🙂

O autor tece um panorama da evolução da cirurgia, desde a antiguidade (se é que se pode chamar o que era feito, naquelas priscas eras, de cirurgia) até os nossos dias. Destacando a vida e a obra de algumas figuras chave, ele nos mostra os erros e acertos, as dificuldades, os preconceitos e as descobertas feitas por estes homens (e mulheres), às custas de muito sangue, suor e lágrimas. Pode-se dizer que a cirurgia, como a conhecemos, é conquista de pouco mais de 100 anos. O desenvolvimento “explosivo” que ela teve, a partir de fins do século XIX, só foi possível depois de superados quatro grandes obstáculos, que demandaram séculos para serem vencidos:

    1) o desconhecimento da estrutura do corpo humano (anatomia),
    2) não saber como estancar grandes hemorragias (fisiologia da circulação),
    3) não saber como evitar ou minimizar a dor (anestesia) e
    4) não compreender as causas das infecções pós-operatórias e saber como evitá-las (assepsia).

As narrativas são impressionantes. As estratégias adotadas, a obstinação e a engenhosidade dos homens envolvidos, idem.

Um conhecimento mais preciso da estrutura do corpo humano só foi possível a partir dos estudos efetuados, em meados do século XVI, por Andreas Vesalius. Realizados com base na dissecação sistemática (e ilegal!) de cadáveres, culminaram na publicação de sua obra máxima De Humani Corporis Fabrica (A Construção do Corpo Humano), por muitas gerações o guia mais completo e confiável de anatomia humana disponível.

Oitenta anos após Vesalius, William Harvey descobriu o mecanismo da circulação sangüínea. Ambroise Paré, cirurgião-barbeiro(?) do exército francês, desenvolveu uma ferramenta (“bico de corvo”) e técnicas de “ligadura” (de vasos e veias) para estancar grandes hemorragias provocadas por ferimentos de tiro de mosquete.

E por aí vai a história…

Em meados do século XIX (aproximadamente 300 anos depois de Vesalius) um dentista de Boston chamado William Morton, descobre, acidentalmente, as propriedades anestésicas do Éter (um composto derivado de álcool e ácido sulfúrico). Isto representou um avanço considerável ao permitir que se fizessem operações mais demoradas e, portanto, mais complexas. Até então, uma cirurgia, qualquer que fosse a sua magnitude, era (para o infeliz paciente) um empreendimento de altíssimo risco e causa de grande sofrimento. Realizada a seco, com o paciente amarrado e uivando de dor, tinha que ser, acima de tudo, rápida. Para ilustrar este ponto, há uma descrição detalhada, e “muito instrutiva”, de uma amputação de perna feita por um bam-bam-bam da era vitoriana, o Dr. Robert Liston, que conseguia realizar a proeza em menos de 30 segundos!

O problema das infecções foi realmente difícil de resolver… Semmelweiss, um médico húngaro, bateu na trave ao especular que a contaminação por “partículas de material morto” (proveniente dos cadáveres autopsiados) seria a responsável pela alta incidência de febre puerperal (normalmente fatal) na maternidade onde trabalhava. Postulou a importância de se manter limpo o ambiente e instrumentos de trabalho, obrigando os médicos a lavarem as mãos com desinfectante antes das intervenções. Estas medidas acabaram reduzindo consideravelmente as taxas de óbitos que tinha até então. Mas o doutor desentendeu-se com seus pares e, internado pela própria família em um hospício, contraiu uma infecção e acabou morrendo de septicemia.
A solução definitiva só ocorreu quando o grande Louis Pasteur descobriu que as doenças são causadas por germes (micro-organismos) e, baseado neste fato, o Dr. Joseph Lister introduziu procedimentos de assepsia, com o uso abrangente e sistemático do ácido carbólico (um germicida), que reduziram drasticamente as taxas de mortalidade por infecções pós-operatórias.

Tudo isto, y algunas cositas más, é explicado, em detalhes, nas primeiras cem páginas, que correspondem ao primeiro capítulo do livro. Há outros quatro.

Definitivamente, uma leitura imperdível. 😉

No frigir dos ovos

O texto abaixo é baseado em outro, que recebi via e-mail, há algumas semanas, e cuja autoria é atribuída a um tal de Luciano, que pessoalmente eu não conheço.
Trata-se da maior concentração, por centímetro quadrado, de expressões idiomáticas e dizeres em língua portuguesa a que tive acesso nestes quarenta e poucos anos de prática diária do exercício da leitura, iniciada aos dez, quando consegui devorar (no sentido literário, é claro) o meu primeiro romance em um único fim-de-semana.

Expressões idiomáticas e ditos populares sempre me fascinaram… Há, certamente, muitos mais que os relacionados aqui. O país é grande e temos um mar imenso a nos separar de nossos irmãos lusitanos (a respeito dos quais pretendo dedicar algumas linhas em uma outra oportunidade).

Quem tiver um amigo ou conhecido “gringo”, que já tenha aprendido um pouquinho do nosso bom e velho vernáculo e esteja “se achando”, poderia utilizar este texto para “tirar a prova dos nove” e conferir se ele está mesmo tão afiado quanto imagina… (quanta maldade, heim?) Um exercício útil e divertido seria procurar as expressões equivalentes em uma outra língua… por exemplo, in English! (Alguém se habilita?)

Sem mais delongas, vamos ao texto:

Divagações de um autor sobre a arte de escrever

“Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comprou gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem grandes sacadas e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.

Não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

É preciso tomar cuidado para não deixar o leite azedar, não passar do ponto ou encher linguiça demais. Deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para se poder vender o peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos, e muito menos verão com uma andorinha apenas.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha. Revelam-se escritores de meia tigela, que trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão. Aqueles que são arroz de festa, embora estejam com a faca e o queijo nas mãos, perdem-se em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese), achando que beleza não põe mesa. Acabam pisando no tomate, enfiando o pé na jaca e, no fim, quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou. (Quem vê cara não vê coração!)

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Mas, cuidado! Se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino será só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana. Sabe como é: pimenta nos olhos dos outros é refresco!

A carne é fraca, eu sei. Às vezes, dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho. Se embananar de vez em quando é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando.

Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.”

😉

Receita de São João

Entra ano, sai ano… A vida cada vez mais complicada e cheia de afazeres. Contas para pagar. Compromissos mil, no trabalho, na vida pessoal, com os amigos, família. E o tempo que nos parece cada vez mais curto? (Será que é assim que o mundo vai acabar: com um crescente e irreversível encolhimento do tempo? Vixe, cruz credo!) Ainda bem que existem as efemérides, datas memoráveis que nos ajudam a amenizar a dureza do rolo compressor em que se transformou a correria do nosso dia-a-dia: aniversários de amigos e parentes queridos, as contraternizações de final de ano, almoço de Páscoa, dia das mães, dos namorados e, é claro, as tradicionais festas juninas.

Festa junina é “muitcho bão”! Tem quermesse, vinho quente e quentão, batata doce, pé-de-moleque, fogueira, quadrilha. Para mim, é também sinônimo de convívio entre amigos, confraternização e tradição. Foi em um dia de junho, nos idos da “aurora de minha vida”, que conheci a primeira “namoradinha”, durante os preparativos para uma festa junina da minha escola primária. Um par de décadas mais tarde, já homem maduro, reencontrei, nesta mesma época do ano, uma amiga querida e antiga colega de trabalho que o destino, para minha felicidade, transformou em companheira de vida.

Saudosista, eu? Bem… os “antigos” costumavam dizem que recordar é viver e, acreditem, eles estão cobertos de razão! Para comemorar esta época especial, e as boas lembranças que ela inspira, nada melhor que uma receita tradicional de bolo de fubá (um de meus preferidos). Em minha opinião, o acompanhamento perfeito para um cafezinho “esperto” ou, se preferir, uma chícara de chá bem quente, a calhar nestas noites frias que se avizinham. Afinal de contas, the winter is coming

 Bolo de Fubá
3 ovos
1 e 3/4 de xícara (chá) de leite
1 e 1/4 de xícara (chá) de fubá
1/2 xícara (chá) de óleo
2 xícaras (chá) de açucar
1 e 1/4 de xícara (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (sobremesa) de sementes de erva-doce
Margarina para untar e fubá para polvilhar
Açucar e canela para polvilhar
Como fazer
Bata no liquidificador os ovos, o leite, o fubá, o óleo e o açucar.
Transfira para um recipiente e misture a farinha de trigo, o fermento em pó e a erva-doce.
Coloque em forma de furo central untada e polvilhada.
Leve ao forno pré-aquecido por, aproximadamente, 30 minutos ou até que doure.
Polvilhe o açucar e a canela.

P.S. Bolo de fubá é “muitcho bão!”
😉

The winter is coming

Para quem está tendo a oportunidade de acompanhar pelo canal HBO a mini série Game of the Thrones, trata-se do bordão da personagem principal, Lord Ned Stark, alertando seus familiares e associados sobre a aproximação fatídica de um período de privações, medo e sofrimento que se avizinha. Ambientada em um mundo de fantasia à la Senhor dos Anéis, esta estória de capa e espada com temática adulta, sucesso recente de público e crítica na Gringolâdia, está sendo muito bem contada na telinha. No mundo retratado, as estações do ano podem ter duração variável (o último verão, por exemplo, já dura mais de oito anos) o que acentua o significado e a gravidade do anúncio premonitório.

Agradam-me os multiplos significados da frase, que em sentido metafórico pode ser utilizada nos mais diferentes contextos… The winter is coming!

O que não consegui, ainda, foi imaginar um modelo astronômico que explique a variação climática citada: talvez uma combinação (improvável?) de movimento de precessão de curta duração (o do eixo de rotação da Terra dura uns 25 mil anos) aliado ao fato de o planeta, onde a estória se passa, estar em um sistema múltiplo (isto é, com mais de um Sol). O grande mestre da ficção científica Isaac Asimov já havia explorado uma ideia parecida no excelente conto Nightfall (O cair da noite), leitura imperdível para os adeptos do gênero.

Papo muito nerd? Pode ser…
Desculpe, gente. Não consegui evitar. 😉

Tamoya ohboya

Definitivamente, não sou uma pessoa religiosa, muito pelo contrário. Durante um bom tempo em minha vida, naquela fase da juventude (no meu caso, entre os dezessete e os trinta e poucos anos) em que não temos medo de nada, achamos que não precisamos de ninguém e estamos convencidos de que sabemos o suficiente sobre tudo que é realmente importante, irritava-me, profundamente, com toda manifestação do que eu considerava ser “submissão intelectual a dogmas pré-estabelecidos”, sejam eles religiosos, políticos, ou pseudo-científicos.

(Desnecessário dizer que me dei mal, algumas vezes, por causa disto…)

Dogmas, raciocinava, são “pessoinhas” muito possessivas, intransigentes e perversas. Seus seguidores não suportam quem pensa ou age de forma diferente daquilo que apregoam. Dogmas não gostam de mudanças. Dogmas adoram verdades absolutas.

Ocorre que, muitas vezes, no afã de combatê-los, acabamos andando de mãos dadas com eles, sem percebermos, em nós mesmos, a influência nefasta da sua companhia. E quer coisa mais diversa, mutável e imprevisível, mais anti-dogmática, que a curiosidade, a engenhosidade e a criatividade do espírito humano?

Além do mais, somos muito diferentes! Certamente em muitos mais aspectos do que muitos de nós gostaríamos de admitir. Igualdade de direitos, de tratamento justo ou de oportunidades não significa, necessariamente, igualdade de conhecimentos, interesses ou habilidades. A beleza externa e a riqueza material são facilmente identificáveis. A força moral ou o potencial de realização (vocação?) que existe em cada um de nós, nem sempre. Descobrir e aceitar a existência de diferentes visões de mundo, com suas crenças e valores próprios, na pior das hipóteses nos tornam pessoas mais tolerantes com os outros e com nós mesmos. Em qualquer hipótese, alargam os horizontes da nossa percepção do mundo que nos cerca e de sua multiplicidade. Respeitar tais diferenças, dado o nosso longo histórico de intransigências, constitui um valor e uma conquista recente da nossa civilização, pela qual ainda temos que lutar para manter e ajudar a difundir. (Difícil? Sim, muito. Especialmente quando você está comprometido com a sua crença e se, realmente, se importa.)

OK, mas… onde é que eu estou querendo chegar com este “papo cabeça”?

Veja bem… gostaria de recomendar, àqueles que ainda não o viram, o filme The Hereafter. Trata-se da mais recente obra do cineasta temporão Clint Eastwood (que, como um bom vinho, só faz melhorar com o passar dos anos). Indico-o, especialmente, aos que, assim como eu, estão convencidos de que a abordagem científica e humanística é a forma correta de olharmos (e atuarmos) neste nosso mundo, “sem dragões para nos assombrar”, como diria mestre Sagan.

Embora, pessoalmente, esteja convencido de que fenômenos “mediúnicos” (ou, se preferir, “paranormais”) sejam fatos facilmente demonstráveis (eu mesmo, acredite quem quiser, já tive a oportunidade de presenciá-los in loco, em duas ocasiões), sei que nem todos que conheço, especialmente os não espíritas, concordam comigo nesta afirmação. Em minha defesa, gostaria apenas de lembrá-los de que a existência de tais fenômenos não significa que as explicações correntes dadas a eles sejam as verdadeiras… (lembra-se das “esferas de Ptolomeu”, tidas como verdade por mais de mil anos, que explicavam perfeitamente o funcionamento do Cosmos e acabaram se revelando, no final das contas, um monte de bobagens absurdas?). Dito de outra forma, o fato de não dispormos de explicações plausíveis para determinada coisa não constitui pretexto válido ignorarmos a sua existência.  Foi por este motivo que gostei, e muito, deste filme. Agradou-me a abordagem isenta dada ao tema da experiência de quase morte e do fenômeno da mediunidade. São três estorias aparentemente desconexas que se unem em um determinado ponto da narrativa, contadas de uma maneira que não ofende a sensibilidade, o bom senso ou a inteligência da sua audiência, independentemente de qual seja a sua crença.

Em resumo, a real masterpiece.

Mudando de assunto…

Notas Científicas

Tamoya ohboya é nome de uma água viva (animal marinho) recentemente catalogada por uma dupla de biólogos brasileiros. Linda e letal. Foi feito um concurso, via Internet, para se escolher um nome que fosse apropriado para ela. Como já tinha uma parente próxima, a “família” já estava definida: Tamoya. Fazendo jus à sua beleza impar e alta periculosidade, anglófonos que se deparassem com ela certamente exclamariam (não necessariamente pelos mesmos motivos): “Oh, Boy!” Justiça feita, ficou ohboya. Interessante, não?

Você sabia que o primeiros homens que surgiram na Terra tinham tipo sanguíneo O? E que, por causa de uma mutação, todos os demais grupos sanguíneos vieram depois? Descobri isto recentemente, e achei bárbaro. Pretendo, em um próximo blog, voltar a abordar este assunto com mais detalhes… Wait for me!

Headlines

O presidente Obama visitou o Brasil sob fortíssimo esquema de segurança. Ninguém podia chegar perto dele e o discurso a céu aberto que faria na Candelária (uma praça do Rio) acabou sendo cancelado na última hora, por motivos de segurança. Muito salamaleque, retratos mil, discursos idem, revistas (que irritaram alguns senadores), sorrisos, abraços e apertos de mão. De concreto, porém, neca de pitibiriba. Just public relations…

O Japão foi sacudido por um mega terremoto (900 vezes mais forte que aquele que recentemente devastou o Haiti) seguido de tsunami (com ondas de mais de 10 metros) e vazamento de radiação em usina nuclear. Mais de 10 mil mortos, lares destruídos, famílias idem, economia abalada, desabastecimento e racionamento de energia são apenas algumas das sequelas. Momento realmente difícil para o povo do sol nascente, gente de uma organização e uma abnegação realmente admiráveis. Fiquei com pena deles… 🙁

O ditador Kadaffi (ou Gadaffi, sei lá) bombardeou sem dó os rebeldes líbios e acabou, por conta disto, arrumando uma treta com a França, Inglaterra e o tio Sam, que resolveram retaliar, atacando seus tanques, aviões e bases militares, para “proteger” a população “indefesa”… e os poços de petróleo líbios, of course! E… vive la democratie!

Obtuário

Liz Taylor, dona de uma beleza tão deslumbrante que chegava a ofuscar a grande atriz que era, “seu” Cidinho, pessoa boníssima e personagem muito querido no São Bernardo, bairro de Campinas onde minha esposa passou a infância e parte da juventude, e o Exmo Sr. José Alencar, empresário mineiro e ex-vice-presidente do Brasil, nos deixaram neste mês de março. Fizeram diferença, dentro de seus respectivos universos de atuação, e serão lembrados de maneira carinhosa por aqueles que tiveram a oportunidade de conhece-los ou ao seu trabalho.

Well… acho que isto era tudo o que tinha para dizer por enquanto. Um feedback seu, caro leitor, seria muito bem vindo.
Espero que tenha gostado e… Até a próxima!

P.S. Ah… já ia me esquecendo… neste glorioso primeiro de abril (hehehe!), a Google, seguindo o que já se tornou uma tradição, e inspirada no exemplo do Kinect da Microsoft e do WII da Nintendo, anunciou um produto revolucionário: o Gmail Motion. Com ele passa a ser possível interagir com seu PC, através de sua webcam, de uma maneira totalmente revolucionária e… saudável.
Vale a pena dar uma conferida.
😉