Receita de São João

Entra ano, sai ano… A vida cada vez mais complicada e cheia de afazeres. Contas para pagar. Compromissos mil, no trabalho, na vida pessoal, com os amigos, família. E o tempo que nos parece cada vez mais curto? (Será que é assim que o mundo vai acabar: com um crescente e irreversível encolhimento do tempo? Vixe, cruz credo!) Ainda bem que existem as efemérides, datas memoráveis que nos ajudam a amenizar a dureza do rolo compressor em que se transformou a correria do nosso dia-a-dia: aniversários de amigos e parentes queridos, as contraternizações de final de ano, almoço de Páscoa, dia das mães, dos namorados e, é claro, as tradicionais festas juninas.

Festa junina é “muitcho bão”! Tem quermesse, vinho quente e quentão, batata doce, pé-de-moleque, fogueira, quadrilha. Para mim, é também sinônimo de convívio entre amigos, confraternização e tradição. Foi em um dia de junho, nos idos da “aurora de minha vida”, que conheci a primeira “namoradinha”, durante os preparativos para uma festa junina da minha escola primária. Um par de décadas mais tarde, já homem maduro, reencontrei, nesta mesma época do ano, uma amiga querida e antiga colega de trabalho que o destino, para minha felicidade, transformou em companheira de vida.

Saudosista, eu? Bem… os “antigos” costumavam dizem que recordar é viver e, acreditem, eles estão cobertos de razão! Para comemorar esta época especial, e as boas lembranças que ela inspira, nada melhor que uma receita tradicional de bolo de fubá (um de meus preferidos). Em minha opinião, o acompanhamento perfeito para um cafezinho “esperto” ou, se preferir, uma chícara de chá bem quente, a calhar nestas noites frias que se avizinham. Afinal de contas, the winter is coming

 Bolo de Fubá
3 ovos
1 e 3/4 de xícara (chá) de leite
1 e 1/4 de xícara (chá) de fubá
1/2 xícara (chá) de óleo
2 xícaras (chá) de açucar
1 e 1/4 de xícara (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (sobremesa) de sementes de erva-doce
Margarina para untar e fubá para polvilhar
Açucar e canela para polvilhar
Como fazer
Bata no liquidificador os ovos, o leite, o fubá, o óleo e o açucar.
Transfira para um recipiente e misture a farinha de trigo, o fermento em pó e a erva-doce.
Coloque em forma de furo central untada e polvilhada.
Leve ao forno pré-aquecido por, aproximadamente, 30 minutos ou até que doure.
Polvilhe o açucar e a canela.

P.S. Bolo de fubá é “muitcho bão!”
😉

The winter is coming

Para quem está tendo a oportunidade de acompanhar pelo canal HBO a mini série Game of the Thrones, trata-se do bordão da personagem principal, Lord Ned Stark, alertando seus familiares e associados sobre a aproximação fatídica de um período de privações, medo e sofrimento que se avizinha. Ambientada em um mundo de fantasia à la Senhor dos Anéis, esta estória de capa e espada com temática adulta, sucesso recente de público e crítica na Gringolâdia, está sendo muito bem contada na telinha. No mundo retratado, as estações do ano podem ter duração variável (o último verão, por exemplo, já dura mais de oito anos) o que acentua o significado e a gravidade do anúncio premonitório.

Agradam-me os multiplos significados da frase, que em sentido metafórico pode ser utilizada nos mais diferentes contextos… The winter is coming!

O que não consegui, ainda, foi imaginar um modelo astronômico que explique a variação climática citada: talvez uma combinação (improvável?) de movimento de precessão de curta duração (o do eixo de rotação da Terra dura uns 25 mil anos) aliado ao fato de o planeta, onde a estória se passa, estar em um sistema múltiplo (isto é, com mais de um Sol). O grande mestre da ficção científica Isaac Asimov já havia explorado uma ideia parecida no excelente conto Nightfall (O cair da noite), leitura imperdível para os adeptos do gênero.

Papo muito nerd? Pode ser…
Desculpe, gente. Não consegui evitar. 😉

Tamoya ohboya

Definitivamente, não sou uma pessoa religiosa, muito pelo contrário. Durante um bom tempo em minha vida, naquela fase da juventude (no meu caso, entre os dezessete e os trinta e poucos anos) em que não temos medo de nada, achamos que não precisamos de ninguém e estamos convencidos de que sabemos o suficiente sobre tudo que é realmente importante, irritava-me, profundamente, com toda manifestação do que eu considerava ser “submissão intelectual a dogmas pré-estabelecidos”, sejam eles religiosos, políticos, ou pseudo-científicos.

(Desnecessário dizer que me dei mal, algumas vezes, por causa disto…)

Dogmas, raciocinava, são “pessoinhas” muito possessivas, intransigentes e perversas. Seus seguidores não suportam quem pensa ou age de forma diferente daquilo que apregoam. Dogmas não gostam de mudanças. Dogmas adoram verdades absolutas.

Ocorre que, muitas vezes, no afã de combatê-los, acabamos andando de mãos dadas com eles, sem percebermos, em nós mesmos, a influência nefasta da sua companhia. E quer coisa mais diversa, mutável e imprevisível, mais anti-dogmática, que a curiosidade, a engenhosidade e a criatividade do espírito humano?

Além do mais, somos muito diferentes! Certamente em muitos mais aspectos do que muitos de nós gostaríamos de admitir. Igualdade de direitos, de tratamento justo ou de oportunidades não significa, necessariamente, igualdade de conhecimentos, interesses ou habilidades. A beleza externa e a riqueza material são facilmente identificáveis. A força moral ou o potencial de realização (vocação?) que existe em cada um de nós, nem sempre. Descobrir e aceitar a existência de diferentes visões de mundo, com suas crenças e valores próprios, na pior das hipóteses nos tornam pessoas mais tolerantes com os outros e com nós mesmos. Em qualquer hipótese, alargam os horizontes da nossa percepção do mundo que nos cerca e de sua multiplicidade. Respeitar tais diferenças, dado o nosso longo histórico de intransigências, constitui um valor e uma conquista recente da nossa civilização, pela qual ainda temos que lutar para manter e ajudar a difundir. (Difícil? Sim, muito. Especialmente quando você está comprometido com a sua crença e se, realmente, se importa.)

OK, mas… onde é que eu estou querendo chegar com este “papo cabeça”?

Veja bem… gostaria de recomendar, àqueles que ainda não o viram, o filme The Hereafter. Trata-se da mais recente obra do cineasta temporão Clint Eastwood (que, como um bom vinho, só faz melhorar com o passar dos anos). Indico-o, especialmente, aos que, assim como eu, estão convencidos de que a abordagem científica e humanística é a forma correta de olharmos (e atuarmos) neste nosso mundo, “sem dragões para nos assombrar”, como diria mestre Sagan.

Embora, pessoalmente, esteja convencido de que fenômenos “mediúnicos” (ou, se preferir, “paranormais”) sejam fatos facilmente demonstráveis (eu mesmo, acredite quem quiser, já tive a oportunidade de presenciá-los in loco, em duas ocasiões), sei que nem todos que conheço, especialmente os não espíritas, concordam comigo nesta afirmação. Em minha defesa, gostaria apenas de lembrá-los de que a existência de tais fenômenos não significa que as explicações correntes dadas a eles sejam as verdadeiras… (lembra-se das “esferas de Ptolomeu”, tidas como verdade por mais de mil anos, que explicavam perfeitamente o funcionamento do Cosmos e acabaram se revelando, no final das contas, um monte de bobagens absurdas?). Dito de outra forma, o fato de não dispormos de explicações plausíveis para determinada coisa não constitui pretexto válido ignorarmos a sua existência.  Foi por este motivo que gostei, e muito, deste filme. Agradou-me a abordagem isenta dada ao tema da experiência de quase morte e do fenômeno da mediunidade. São três estorias aparentemente desconexas que se unem em um determinado ponto da narrativa, contadas de uma maneira que não ofende a sensibilidade, o bom senso ou a inteligência da sua audiência, independentemente de qual seja a sua crença.

Em resumo, a real masterpiece.

Mudando de assunto…

Notas Científicas

Tamoya ohboya é nome de uma água viva (animal marinho) recentemente catalogada por uma dupla de biólogos brasileiros. Linda e letal. Foi feito um concurso, via Internet, para se escolher um nome que fosse apropriado para ela. Como já tinha uma parente próxima, a “família” já estava definida: Tamoya. Fazendo jus à sua beleza impar e alta periculosidade, anglófonos que se deparassem com ela certamente exclamariam (não necessariamente pelos mesmos motivos): “Oh, Boy!” Justiça feita, ficou ohboya. Interessante, não?

Você sabia que o primeiros homens que surgiram na Terra tinham tipo sanguíneo O? E que, por causa de uma mutação, todos os demais grupos sanguíneos vieram depois? Descobri isto recentemente, e achei bárbaro. Pretendo, em um próximo blog, voltar a abordar este assunto com mais detalhes… Wait for me!

Headlines

O presidente Obama visitou o Brasil sob fortíssimo esquema de segurança. Ninguém podia chegar perto dele e o discurso a céu aberto que faria na Candelária (uma praça do Rio) acabou sendo cancelado na última hora, por motivos de segurança. Muito salamaleque, retratos mil, discursos idem, revistas (que irritaram alguns senadores), sorrisos, abraços e apertos de mão. De concreto, porém, neca de pitibiriba. Just public relations…

O Japão foi sacudido por um mega terremoto (900 vezes mais forte que aquele que recentemente devastou o Haiti) seguido de tsunami (com ondas de mais de 10 metros) e vazamento de radiação em usina nuclear. Mais de 10 mil mortos, lares destruídos, famílias idem, economia abalada, desabastecimento e racionamento de energia são apenas algumas das sequelas. Momento realmente difícil para o povo do sol nascente, gente de uma organização e uma abnegação realmente admiráveis. Fiquei com pena deles… 🙁

O ditador Kadaffi (ou Gadaffi, sei lá) bombardeou sem dó os rebeldes líbios e acabou, por conta disto, arrumando uma treta com a França, Inglaterra e o tio Sam, que resolveram retaliar, atacando seus tanques, aviões e bases militares, para “proteger” a população “indefesa”… e os poços de petróleo líbios, of course! E… vive la democratie!

Obtuário

Liz Taylor, dona de uma beleza tão deslumbrante que chegava a ofuscar a grande atriz que era, “seu” Cidinho, pessoa boníssima e personagem muito querido no São Bernardo, bairro de Campinas onde minha esposa passou a infância e parte da juventude, e o Exmo Sr. José Alencar, empresário mineiro e ex-vice-presidente do Brasil, nos deixaram neste mês de março. Fizeram diferença, dentro de seus respectivos universos de atuação, e serão lembrados de maneira carinhosa por aqueles que tiveram a oportunidade de conhece-los ou ao seu trabalho.

Well… acho que isto era tudo o que tinha para dizer por enquanto. Um feedback seu, caro leitor, seria muito bem vindo.
Espero que tenha gostado e… Até a próxima!

P.S. Ah… já ia me esquecendo… neste glorioso primeiro de abril (hehehe!), a Google, seguindo o que já se tornou uma tradição, e inspirada no exemplo do Kinect da Microsoft e do WII da Nintendo, anunciou um produto revolucionário: o Gmail Motion. Com ele passa a ser possível interagir com seu PC, através de sua webcam, de uma maneira totalmente revolucionária e… saudável.
Vale a pena dar uma conferida.
😉

A vida imita a ficção

Um assunto que me fascina desde a adolescência é o inter relacionamento profundo que existe entre o desenvolvimento da técnica e a maneira como ela impacta o nosso modo de vida, nossos usos e costumes, e a forma como vemos e compreendemos o mundo.
Quer coisa mais fantástica do que a invenção do telescópio (que alterou a posição da Terra no Universo), do microscópio (que revelou um novo mundo em uma gota dágua), da máquina a vapor (que nos aliviou do fardo do trabalho escravo), da arma de fogo (que igualou fortes e fracos), da imprensa (que permitiu que nos tornássemos um pouquinho mais sábios), da TV (que ampliou nossa visão do mundo), das pílulas (hehehe!), das vacinas, antibióticos, assepsia, anestesia, avião a jato, tomografia, computadores, Internet e tantas outras descobertas e invenções maravilhosas? A lista é imensa!

Somos diferentes de nossos antepassados, na medida em que podemos ver, perceber e fazer coisas que eles não podiam, graças a todo o desenvolvimento técnico-científico ocorrido nos últimos 500 anos e do qual somos beneficiários e herdeiros.
Mas, da mesma forma que estas descobertas e invenções me maravilham, elas também me assombram: a capacidade de destruição da Humanidade (possível a partir do momento em que o Homem desvendou o átomo), a exaustão dos recursos do planeta (consequencia do crescimento explosivo da nossa população), as mudanças climáticas decorrentes, a capacidade adquirida de controle  e manipulação das massas (vide propaganda) e, acima de tudo, o alheamento crescente do espírito humano, fruto de um modelo educacional “pragmático”, profissionalizante e subordinado à maxima de transformar homens e mulheres em eficientes agentes de produção e consumo. Este é o outro lado da moeda! São problemas de uma magnitude considerável, que não tenho certeza se conseguiremos resolver, de uma maneira minimamente satisfatória, nas próximas décadas…

E por falar em futuro…
Na semana passada, governo brasileiro anunciou que a ANATEL (Agencia Nacional de Telecomunicações) passará a monitorar, a partir deste ano, TODAS as chamadas telefônicas fixas e celulares. Uma vez concluidas as adaptações que se fazem necessárias, informações como número de telefone chamado e duração da ligação, ficarão ao alcance de um técnico habilitado. Daí para se conhecer o conteúdo da convesa é um pulinho… (Para o Big Brother, um tiquinho…) Houve protestos, é claro. O governo explicou que a medida é necessária para fiscalizar melhor as operadoras, que o sigilo telefônico (garantido pela Constituição) será preservado, etc e tal… Será?

Outra notícia que também de impressionou, e muito, foi o anuncio do Google Translator para Android, que permite que se fale uma frase em inglês no smartfone e o aparelho a repita em espanhol, e vice-versa. Do jeito que a coisa está andando, em 10 anos não precisaremos mais nos obrigar ao longo e árduo esforço (para alguns, martírio) necessário para se aprender uma língua estrangeira. Acho que já vi algo parecido em algum lugar… (lembra do filme Duna?)

Infelizmente(?), a capacidade de processamento de nosso cérebro não acompanha (ainda!) o aumento explosivo de informações que chegam até nós (uma grande parte delas totalmente dispensáveis, diga-se de passagem) o que nos obriga a abrir mão de algumas coisas essenciais (cuidados pessoais, hobbies, cultivo de relações familiares) se quisermos lidar a contento com este esmagador influxo de informações.  Isto é bom?
Conversando um dia destes com um amigo do trabalho, ele me contou sobre a sua experiência recente de transmitir, em tempo real, imagens e textos com comentários seus sobre os lugares que visitara em uma viagem que fizera ao Sul do país com a esposa. Lembrei-me, durante esta mesma conversa, que reunir as fotos de viagem em um album e convidar os amigos para dividir com eles nossas lembranças e impressões durante um jantar, ou churrasco regado com muita cerveja,  haviam nos rendido momentos inesquecíveis e prazerosos de confraternização. Coisas que o Facebook, certamente, não possibilitaria.
“Engraçado” o paradoxo da tecnologia que ao mesmo tempo nos aproxima e afasta uns dos outros…
🙂

O infinito e além…

Na última edição do jornal inglês The Sunday Times, saiu uma matéria sobre os filmes de ficção científica que a NASA considera um amontoado de absurdos pseudo-científicos e que, segundo ela, acabam prestando um desserviço para a causa da divulgação, entre o grande público, de ideias e conceitos minimamente razoáveis sobre o mundo que nos cerca. É fato que a finalidade última dos filmes comerciais é faturar alto vendendo entretenimento para as massas. Mas, por que não juntar o útil ao agradável? Por que não aproveitar a oportunidade para, além de entreter, encantar (e estimular) o público com as possibilidades das realizações, as descobertas e a inventividade do engenho humano?
Há, infelizmente, muito desperdício de material, esforços, ideias, corações e mentes por este mundo afora… E Hollywood não escapa a esta regra. As antigas lendas indígenas, as grandes passagens bíblicas, nossas fábulas infantis e as epopeias mitológicas dos clássicos, além de entreterem, encerravam lições as mais diversas sobre nossas crenças e visões de mundo, transmitindo ensinamentos morais e de vida, testemunho vivo de nosso patrimônio histórico e cultural. Estaríamos perdendo, com seus substitutos (?) modernos, uma oportunidade tão rica de aprendizado?
É certo que vivemos uma nova era de explosão criativa que, aliada aos avanços da mais moderna técnica cinematográfica, não encontra mais limites nas suas formas de expressão. Tudo passa a ser possível. O limite acaba sendo o da própria imaginação (ou, pior, a falta dela). Apesar dos avanços, bom senso parece ser, infelizmente, mercadoria das mais escassas.

Uma boa obra de ficção científica não deve contradizer frontalmente o conhecimento científico estabelecido e sim “estendê-lo”, explorando questões que ainda permanecem em aberto e para as quais, dado o nosso atual estágio de desenvolvimento tecno-científico, várias explicações são igualmente plausíveis, embora não necessariamente verdadeiras. Júlio Verne e H.G.Wells souberam fazer isto muito bem, em pleno século XIX, com os ótimos “20 mil léguas submarinas” e “Guerra dos mundos”, respectivamente.
Alguém poderia argumentar que muita coisa já foi produzida, tudo o que havia de interessante já foi explorado e não há mais nada inteligente a ser dito. Será? Exemplos de bons temas não faltam: universos paralelos (sobre cuja existência, ou não, há muita especulação), nossos “amigos” ETs (idem), viagens no tempo (cuja possibilidade constitui ainda motivo de muita controvérsia), inteligência artificial e manipulação genética, só para ficarmos nos mais óbvios.
Outro ponto importante a destacar, e que está sempre presente nas melhores obras do gênero, é a atemporalidade do espírito humano: a tecnologia evolui, nosso conhecimento sobre a natureza idem, mas o ser humano, com seus medos e limitações, angústias e necessidades, aspirações e sonhos, permanece o mesmo. Esta invariabilidade fornece o referencial que nos permite entender uma nova realidade dentro de um contexto conhecido e que faça sentido (nós mesmos).
Não se trata, portanto, de abordar a técnica pela técnica. Esta acaba sendo um pretexto engenhoso para explorarmos novas possibilidades ou rever, à luz de um novo ponto de vista, temas recorrentes, velhos conhecidos nossos, do espírito e da natureza humanos. Uma obra de ficção científica que não se volte para o homem, que não o tenha como seu ponto central, que se atenha apenas aos detalhes e a explicações estritamente técnicas, não merece o rótulo que almeja. Seria apenas um amontoado estéril de bobagens ou, na melhor das hipóteses, um manual extremamente enfadonho e difícil de se ler.

Dois filmes são especialmente condenados, na referida reportagem do semanário inglês: “2012”, mais um a tratar da “iminente” destruição da Terra, e “O núcleo” (The Core), que fala de uma viagem ao centro da Terra para tentar, através de explosões nucleares, restaurar o movimento de rotação do núcleo de ferro de nosso planeta, que estava parando, com consequências catastróficas para o nosso clima.
Em ambos, conceitos elementares, que deveriam ser familiares para estudantes que tenham completado o ensino médio, como por exemplo o da conservação da quantidade de movimento, são simplesmente ignorados. O rótulo de ficção científica é, para dizer o mínimo, um engodo para atrair aficionados e um insulto para os minimamente informados.
Estas obras, a despeito da boa receptividade que possam eventualmente vir a ter junto ao grande público, estão muito longe de trabalhos de qualidade dos verdadeiros mestres como “Eu, Robô” e “Fundação” (em minha opinião, o melhor romance de sci-fi de todos os tempos) de Isaac Asimov, “Crônicas Marcianas” e o “Homem Ilustrado” de Ray Bradbury (imperdíveis), o “O martelo de Deus” e “O fim da infância” de Arthur C. Clarke (o mesmo autor de 2001, outro clássico), “Minority Report” de Philip K. Dick (uma verdadeira caixinha de surpresas) ou “Um estranho numa terra estranha” do inigualável Robert A. Heinlein.
Felizmente, nem tudo está perdido e podemos encontrar no cinema, para nosso deleite, algumas verdadeiras preciosidades, como:“Contatos imediatos do terceiro grau” e “Jurassic Park” (do grande Steven Spielberg), “2001, Uma odisseia no espaço” (do saudoso diretor Stanley Kubrick), “Gattaca, A experiência genética” (com Uma Thurman, Ethan Hawke e Jude Law), “Blade Runner, o caçador de androides” (estrelado por Harrison Ford), “Alien, o oitavo passageiro” (com Sigourney Weaver), o primeiro filme da trilogia Matrix (com Keanu Reeves), “O Dia em que a Terra parou” (a refilmagem, com o Keanu Reeves, que ficou ótima) e, por último (mas, certamente, um dos primeiros da fila) “Contato” (estrelado pela fantástica Jodie Foster) do inesquecível Carl Sagan. Imperdíveis, também, as séries televisivas Taken (Spielberg, again), Babylon 5, Battlestar Galactica (a versão estrelada por Edward James Olmos) e Star Trek TNG (do capitão Jean-Luc Picard, interpretado pelo fleugmático, e impagável, Patrick Stewart).

Recomendo qualquer uma das obras acima citadas como um excelente ponto de partida para aqueles que quiserem mergulhar no fascinante, e altamente recompensador, universo da verdadeira ficção científica.
Vida longa e próspera!
🙂

P.S. Para quem quiser obter mais referências de boa leitura, recomendo uma visita ao site do prêmio Hugo, concedido anualmente aos maiores autores do gênero (o “Oscar” da literatura de ficção científica) desde a década de 1950.

Uma pausa para o Natal…

Outro dia fiquei espantado com o depoimento de uma ex-colega que postou no Facebook uma mensagem onde dizia que odiava esta época do ano… “Como pode ser isto?”, pensei incrédulo. “Como pode existir alguém, neste mundo de Deus, que simplesmente não goste de Natal?”, para mim sinônimo de infância, inocência, alegria, esperança e renovação. É quando as cidades se enfeitam e o ar fica impregnado de uma atmosfera surrealista, quase mágica; é quando surgem os corais natalinos com suas vozes angelicais; é quando ajudamos nossos filhos pequenos (e ansiosos) a escrever a cartinha para o Papai Noel; quando cartões e e-mails de felicitação são enviados (e recebidos); quando ocorrem as festas de confraternização das empresas; quando nos lembramos de amigos antigos e parentes que não vemos há tempos, montamos nossas árvores de Natal, enfrentamos filas e congestionamentos homéricos para as compras que, como bons brasileiros que somos, deixamos para a última hora… (Ho-Ho-Ho!)

Para aquelas pessoas mais religiosas, a época oferece, ainda, um bônus adicional que é a oportunidade de celebrar o nascimento de uma das figuras mais ilustres, senão a mais ilustre de todas, da história da humanidade.

Além de toda a conotação comercial e religiosa associada à data, esta época do ano é também, sobretudo para mim, uma ocasião para reflexão. Ela nos permite sair de nossa rotina diária, quando então nos esquecemos, por um breve momento que seja, das contas a pagar, das provas escolares por fazer, daquele projeto que precisamos concluir ou contrato para assinar… e nos voltamos para nós mesmos, refletimos sobre nossas conquistas, revivemos nossos sonhos e nos permitimos expressar, de forma menos contida, nossa afeição e consideração por nossos amigos e familiares.

Finalmente, é quando bate mais forte a saudade daqueles que já se foram e que nos deixaram, além da lembrança nostálgica dos bons momentos que tivemos a oportunidade de desfrutar juntos, a lição simples e fundamental (da qual facilmente nos esquecemos quando retornamos aos afazeres e à correria do dia-a-dia) de que cada momento é único e nada dura para sempre.

Bons motivos para a gente curtir esta data com um carinho especial, não?
🙂

P.S. Segue, abaixo, a receita de um bolo tradicional adaptada (e testada com sucesso!) pela minha “cara metade” Maria Antonieta (amiga, companheira de jornada, mãe dedicada e chef nas horas vagas).

 Bolo de Natal
2 ovos
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de açúcar
½ xícara (chá) de óleo
1 xícara (chá) de uva passa
1 xícara (chá) de nozes picadas
3 xícaras (chá) de maçã ralada
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de canela em pó
Modo de fazer:
Peneirar todos os ingredientes secos e bem misturados em uma tigela.
Acrescentar as nozes, as uvas e a maçã e mexer bem com uma colher grande.
Bater bem os ovos, acrescentar o óleo, bater um pouco mais e colocar essa mistura na tigela.
Misturar tudo e levar para assar em forma untada com manteiga/margarina e polvilhada com farinha de trigo.
Tempo aproximado de forno: 30 a 40 minutos, dependendo do formato da forma.

Os amigos e familiares que tiveram a oportunidade de prová-lo gostaram bastante.
Espero que vocês apreciem…
FELIZ NATAL a todos e um ótimo 2011!
🙂

Jack Bauer, Julian Assange, Fortaleza Digital e Echelon: algo em comum?

Talvez nada… E tudo não passe de uma divertida (?) coincidência. Pode ser mas… como pensar não dói (dizem), não custa nada (embora possam cobrar muito caro para fazê-lo) e coincidências demais costumam levantar suspeitas, vamos aos fatos:

Jack Bauer é o mocinho da série americana de TV 24 horas que durou 8 temporadas. Ele é um super agente de uma agencia fictícia de contra-terrorismo denominada CTU e está sempre correndo contra o relógio para impedir algum atentando de dimensões colossais. O tempo da trama é o mesmo dos episódios: 24 horas em 24 capítulos, ou seja,  1 hora por capítulo. Para quem não conhece e gosta de tramas estrambólicas de ação, à la James Bond, trata-se de um prato cheio. Os autores conseguem verdadeiros milagres, emendando, sistemáticamte, uma estória em outra. À exceção do próprio Jack Bauer, que é um tipo de justiceiro (e, por conta disto, algumas vezes é capaz de ações um tanto reprováveis) e de sua fiel escudeira Cloe (uma nerd que manipula sistemáticamente a parafernália tecnológica disponível para ajudar o seu protegido), as demais personagens alternam posição do lado dos mocinhos e dos bandidos. É uma coisa louca… Você começa torcendo para um cara que no meio da trama se revela um grandíssimo FDP e por aí vai. Tudo acontecendo em apenas 24 horas!

Um tema sempre recorrente em todas as temporadas da série é uma capacidade técnica quase mágica (supercomputadores, cameras de vigilância interligadas, imagens de satélite em tempo real, grampos telefônicos ao estalo de um dedo) de onipresença  da CTU, que tudo vê e pode controlar, como o grande irmão orwelliano, colocando todos os meios disponíveis a serviço dos fins nobres de proteção dos interesses nacionais (ou do grupo da vez que esteja no poder). Interessante, não? Trata-se, evidentemente, de uma bela peça de ficção: um misto de investigação policial, ação e ficção científica.

Julian Assange é o infeliz que teve uma idéia genial mas que foi imprudente e acabou pisando no calo de quem não devia. Falou demais ao publicar em seu site Wikileaks documentos secretos do governo americano que não gostou muito da brincadeira e retaliou. Afinal, liberdade de impressa tem os seus limites, certo? Você não pode (ou melhor, não deveria) divulgar informações que ponham em risco a vida de outras pessoas (agentes em campo) ou que causem constragimentos desnecessários (entre governos). Isto demonstra um enorme senso de oportunismo para conquistar fama e fortuna rápidas. Pode ser… Mas mostra também uma grande vontade de ver o circo pegar fogo, pagar para ver, muita falta de ética, pouco bom senso, educação nenhuma e patriotismo zero… Bem, acho que este último item não conta pois Mr. Assange não é americano… O que talvez explique algumas coisas.

O fato é que o Tio Sam pressionou o provedor, que tirou o site do ar. Teimoso, e sem a menor noção do perigo, Mr. Assange voltou à carga em menos de 24 horas. Acabou, da noite para o dia, nos bancos de dados da Interpol, como procurado por estupro de uma cidadã do mesmo país que, coincidência ou não, abrigou a segunda versão do seu site. Tudo muito conveniente, para dizer o mínimo!

“Fortaleza Digital” é um romance do ótimo escritor de best sellers americano Dan Brown (o mesmo autor de “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios”). Trata da estória (fictícia, é claro) de um supercomputador mantido secretamente por uma agencia de segurança americana com objetivos perfeitamente justificáveis mas publicamente inconfessáveis. (Acho que já ouvimos algo parecido em algum lugar, não?)

Echelon é nome de um suposto supercomputador, também americano, que monitora, em tempo real, toda a comunicação telefônica e via e-mail que está acontecendo nos céus da Gringolândia, em busca de chamadas suspeitas, com o intuito de detectar e evitar ações terroristas. Trata-se de um “super hiper grampo”, com todas as implicações constitucionais, jurídicas, éticas, filosóficas e tecnológicas que uma aberração destas poderia ter. (Olha o “Grande Irmão” aí outra vez…)

Se este tal de Echelon realmente existe ou não, isto eu não posso afirmar com certeza. Para mim, esta estória é mais uma daquelas teorias de conspiração, que pipocam de vez em quando, como aquela outra, famosa, envolvendo uma queda de ETs , a cidade de Roswell e uma tal de Area 51.

Porém, como diz o velho ditado popular: “onde há fumaça há fogo!” e… veja bem… a gente, que costuma pensar com a própria cabeça, não consegue evitar as comparações e deixar de ligar os pontos…

Nem que seja só para matar o tempo ou ter assunto para publicar no blog.

🙂

“Veja bem…” há sempre uma outra maneira de se ver as coisas!

Olás, 🙂

Já faz algum tempo que considero a possibilidade de começar a escrever um blog pessoal. Sempre tive curiosidade sobre o que levaria milhares de pessoas a escrever sobre si mesmas, sobre fatos importantes (ou não tão importantes assim) de suas vidas, suas famílias, seus trabalhos, amizades, dúvidas, certezas, sucessos e frustrações para uma plateia anônima e… planetária! (OK. Vamos dar uma chance para a nossa querida e amada língua portuguesa, está bem?)

Estaria alguém realmente interessado naquilo que você ou eu quiséssemos, ou estivéssemos dispostos a, escrever? Há muita irrelevância na net. Muita porcaria, mesmo! Nossa capacidade global de produzir é infinitamente maior que nossa capacidade individual de consumir. E separar o joio do trigo não é das tarefas mais triviais… (O Google que o diga!)

Existem, evidentemente, blogs sobre os mais variados assuntos: culinária japonesa, política internacional, fotografia digital, esportes radicais, esoterismo, macrobiótica, guias de viagem, programação dinâmica, direitos humanos, mecânica quântica (!), quadrinhos eróticos (?), bancos de dados da Oracle(?!), etc e tal. A lista é interminável… Alguns se propõem a prestar algum tipo de serviço de utilidade pública, há as (inevitáveis)  brincadeiras de mau gosto, as tentativas tímidas de aspirantes a jornalismo, os passatempos (ou desabafos) de entediadas donas-de-casa, as denúncias fundamentadas de inconformados cidadãos conscientes e, evidentemente, um volume considerável de nonsense!

Mas, e daí? Qual é a minha posição no meio disto tudo? O que pretendo ou a que me proponho com esta iniciativa? Francamente, ainda não sei. Estou apenas “tateando”. Familiarizando-me com a tecnologia, colocando algumas idéias em ordem, resgatando outras, esboçando possiveis conteúdos para um futuro livro, alguma auto análise (aquilo que é permitido fazer em público, evidentemente)… Enfim, um pouquinho de tudo.

Dito de uma maneira resumida, lusitana e franca (sem trocadilhos): Estou a experimentar! (Posso?) Quero poder acreditar que alguém, em alguma parte deste, como diria o “velho” Drummond, “vasto mundo” aportará nestas praias, se interessará pelo seu conteúdo e, talvez, para este alguém, isto venha a fazer alguma diferença…

Ou não… Who knows? Does it matter?  🙂